“Ao vê-lo naquele estado, senti uma dor que jamais havia sentido antes. Aquele jovem bêbado, sujo, que mal conseguia ficar de pé era o meu filho. O meu filho…” Esse depoimento reproduz uma situação que há muito incomoda o meu coração.
Muitas famílias vivem o drama de ver o vício tomar conta e, aos poucos, roubar a vida de algum de seus membros. Seja o álcool, as drogas ou o jogo, a verdade é que as famílias sofrem um grande abalo quando se veem envolvidas com esta circunstância.
Passei algum tempo perguntando-me sobre o que seria mais difícil enfrentar: o sofrimento pessoal ou a dor de ver quem você ama sofrendo? Cheguei à conclusão que quando o sofrimento diz respeito a nós mesmos, somos capazes de adaptarmo-nos às nossas limitações, de sabermos até onde conseguiremos resistir.
Quando o sofrimento atinge quem amamos, a dor é maior, pois, muitas vezes, não sabemos o que fazer e, nem sempre, podemos ajudar. Um fato, no entanto, precisa ser colocado à luz dos holofotes: quando o problema é o vício, a família é tão afetada quanto o próprio dependente.
A dependência química não é uma doença contagiosa, mas é contagiante. Envolve toda a família, que acaba por anular-se e viver a história do dependente. Prova disso é que o Ministério da Saúde decidiu tratar o alcoolismo, especificamente, como um problema de saúde pública. O tratamento passou a ser extensivo às pessoas que convivem com o usuário de álcool, que também estão sofrendo e adoecendo.
A verdade é que nunca imaginamos que o vício pode chegar às nossas casas, muito menos aos nossos filhos. Mas o perigo existe e está muito próximo de nós. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, dez por cento das pessoas que bebem transformar-se-ão em alcoólatras no futuro e 74% dos adolescentes matriculados no ensino médio já fizeram uso do álcool. Isto é um alerta para que estejamos sempre atentos aos nossos filhos.
Apesar de toda a dor e sofrimento que o vício provoca na vida de pessoas amadas, não devemos nem podemos desistir, pois há um Deus que tudo pode e tem poder para mudar toda e qualquer situação. Desde 1983, trabalhando com viciados, descobri que Deus desconhece a palavra impossível.
Uma das finalidades do sofrimento é imprimir o caráter de Deus em nós. Deus não é masoquista. Ele não tem prazer na nossa dor ou nas tragédias que assolam a nossa vida. Deus permite que passemos por dificuldades para que se cumpra em nós a Sua vontade. E lembre-se que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28)




