Em ano eleitoral importante como 2026, quando os brasileiros irão às urnas para eleger o Presidente da República, governadores, senadores e deputados, chama a atenção a apatia da sociedade. Não há, a princípio, um engajamento mais efetivo, nem debates consistentes de ideias, teses ou projetos.
As redes sociais avançaram e passaram a dominar o ambiente político de forma preocupante. A superficialidade com que a política tem sido tratada coloca em risco a democracia em sua essência. Vive-se a era do “tanto faz”, com grande parte da população alheia ao que acontece no País, favorecendo a ascensão de políticos despreparados e desconectados das causas sociais.
Talvez por isso o enfraquecimento dos partidos políticos seja cada vez mais evidente. Pouca gente se dispõe a discutir assuntos de interesse coletivo. O debate cede espaço a mensagens rápidas e rasas na internet. Ao mesmo tempo, espaços antes ocupados por partidos e lideranças tradicionais vêm sendo preenchidos por segmentos religiosos e, de forma preocupante, até por grupos criminosos.
Em alguns contextos, essas forças exercem influência superior à de representantes eleitos, o que compromete o equilíbrio democrático e distorce o funcionamento das instituições.
O modelo político brasileiro, muitas vezes, parece atender mais a interesses individuais e de grupos do que ao conjunto da sociedade. Dados de pesquisa da Alfa Inteligência mostram que 60% dos brasileiros acreditam que a democracia está enfraquecida, enquanto apenas 17% veem fortalecimento.
O descrédito é ainda maior entre pessoas com maior escolaridade. Esse cenário ajuda a explicar um fenômeno preocupante: o afastamento da população da vida política. Quando o cidadão deixa de acreditar no sistema, reduz sua participação, seja no voto, no debate ou na fiscalização.
As consequências são graves. A descrença pode abrir espaço para discursos extremistas, tanto à direita quanto à esquerda, além de alimentar a instabilidade institucional. Quando a confiança nas regras democráticas se fragiliza, o ambiente político se torna mais vulnerável a crises.
O desafio, portanto, é resgatar o interesse da sociedade, fortalecer o debate qualificado e reconstruir a credibilidade das instituições, antes que a indiferença se torne um risco ainda maior.
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