VERSÃO FLIP
domingo, 1 de março, 2026
  • Entrar
  • Registrar
Contexto
Nenhum Resultado
Ver Todos os Resultados
Contexto
domingo, 1 de março, 2026
Contexto

Autismo pode ser fruto da evolução biológica do cérebro humano, dizem cientistas

de Jornal Contexto
12 de janeiro de 2026
em Ciência, Pesquisa
Reading Time: 3 mins read
0 0
A A
0
Foto: IA

Foto: IA

Cientistas reavaliam o autismo como um possível produto da seleção de habilidades cognitivas superiores humanas

A compreensão contemporânea do transtorno do espectro autista (TEA) atravessa um momento de ruptura paradigmática. Apesar de historicamente ser enquadrado principalmente sob a ótica de alterações cerebrais que dificultam a vida em sociedade, agora o autismo começa a ser reavaliado. Atualmente, novas correntes da Psicologia Evolucionista e da Genética de Populações apontam a possibilidade de se tratar de uma variação estratégica que está sendo mantida, e talvez até amplificada, pela seleção natural.

Afinal, esse transtorno de desenvolvimento, que costuma causar dificuldades de comunicação, de interação social e alterações sensoriais significativas, muitas vezes também está acompanhado de habilidades notáveis. Nesse sentido, o aumento de indivíduos com capacidades excepcionais de sistematização e reconhecimento de padrões sugere que o futuro da organização social humana poderá ser profundamente influenciado pela neurodivergência.

Genes e neurônios

A base para essa hipótese foi reforçada com o trabalho seminal de Starr e Fraser, da universidade de Stanford, publicado recentemente na revista científica Molecular Biology and Evolution. Em primeiro lugar, os autores fornecem um mecanismo celular preciso dessa mudança através da análise de um tipo de neurônio excitatório do neocórtex, algo crucial para a cognição humana complexa. Eles descobriram que esses neurônios evoluíram em uma velocidade excepcionalmente rápida na linhagem humana, em comparação com outros primatas.

Além disso, o dado mais surpreendente observado é que essa evolução acelerada coincidiu com uma queda acentuada na expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente associada a um maior risco de diagnóstico de TEA. Isso indica que a evolução responsável por altas funções cognitivas pode ter tido como trade-off evolutivo a redução na expressão de genes protetores do neurodesenvolvimento. Ou seja, as mesmas pressões seletivas que refinaram a inteligência humana aumentaram, como subproduto, a prevalência de traços autísticos.

Indícios e teorias

Um fenômeno que corrobora essa visão evolutiva é o aumento expressivo na prevalência do autismo. Atualmente, dados do Centro de controle e prevenção de doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada dentro desse espectro. Embora parte desse crescimento se deva à mudança nos critérios diagnósticos, há um debate na comunidade científica sobre outros fatores contribuintes.

Diferente de hipóteses sem comprovação, os dados de Star e Fraser sugerem um aumento real impulsionado por mecanismos genéticos. Por outro lado, o psicólogo Simon Baron-Cohen propôs a teoria do acasalamento assortativo. Segundo ela, a sociedade moderna facilita a união reprodutiva entre indivíduos com perfis “sistematizadores” semelhantes. Consequentemente, ocorre um aumento na frequência de descendentes que herdam uma “dose dupla” de genes associados a altas habilidades, o que também eleva a probabilidade de manifestação do autismo.

Futuro neurodivergente

Mesmo que perfis com alto poder cognitivo sejam apenas uma parte do espectro, é necessário pensar sobre as implicações sociológicas de um cenário onde a neurodiversidade cresce. Caso a seleção natural favoreça cada vez mais o nascimento de gênios neurodiversos, o que é considerado o funcionamento cerebral típico de hoje pode se tornar o atípico de amanhã.

Entretanto, essa ideia não deve recair em argumentos sensacionalistas sobre “elites cognitivas”. Paradoxalmente, o reconhecimento da diversidade cerebral reforça o combate ao capacitismo, argumentando que o valor humano não depende de produtividade ou genialidade. Em conclusão, o autismo parece ser parte integrante da nossa evolução. Portanto, os sistemas educacionais precisam ser aprimorados urgentemente para garantir dignidade e espaço para todos os tipos de mentes.

*Esta matéria foi produzida a partir do artigo publicado originalmente no The Conversation sob licença Creative Commons; leia o conteúdo original na íntegra.

Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui

Rótulos: anápolisAutismocapadestaquegoiásNeurodivergentePortal Contexto

Mais Artigos

Imagem: Ilustrativa

China registra primeira reversão de diabetes tipo 2

de Anna Rhaissa
23 de fevereiro de 2026
0

Avanço científico reacende debate sobre terapias celulares inovadoras Pesquisadores da China anunciaram a primeira reversão mundial do diabetes tipo 2...

Paciente que recebeu o rosto conversa com a equipe médica — Foto: Hospital Vall d'Hebron/Handout via REUTERS/Gemini

Espanha realiza transplante facial inédito com doadora que optou por eutanásia

de Anna Rhaissa
16 de fevereiro de 2026
0

Cirurgia inédita transforma vida de paciente espanhola Médicos do Hospital Universitário Vall d’Hebron, em Barcelona, realizaram um procedimento considerado histórico:...

Imagem: Reprodução

Brócolis pode proteger rins de danos causados pela hiperglicemia, aponta estudo brasileiro

de Anna Rhaissa
12 de fevereiro de 2026
0

Pesquisadores analisam composto natural e seus efeitos renais A hiperglicemia, caracterizada pelo excesso de açúcar no sangue, afeta principalmente pessoas...

Carregar Mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Eu aceito as Políticas de Privacidade e Uso.

As mais lidas da semana

  • Imagem: Ilustrativa/Reprodução

    Programa federal destina 100 casas à zona rural de Anápolis; inscrições estão abertas

    0 compartilhamentos
    Compartilhar 0 Twitter 0
  • Walter Vosgrau admite relação estremecida com Márcio Corrêa

    0 compartilhamentos
    Compartilhar 0 Twitter 0
  • Mpox: conheça os sinais e sintomas e como se pega a doença

    0 compartilhamentos
    Compartilhar 0 Twitter 0
  • F-39 Gripen já é empregado para defesa da soberania do espaço aéreo nacional. Veja o vídeo!

    0 compartilhamentos
    Compartilhar 0 Twitter 0
  • FIEG empossa novos membros no Conselho de Comércio Exterior. Quatro são anapolinos

    0 compartilhamentos
    Compartilhar 0 Twitter 0
Contexto

Jornal Contexto de Anápolis. Todos os direitos reservados © 2025 – Feito com Pyqui

Institucional

  • Quem Somos
  • Anuncie Conosco
  • Contato

Siga-nos

Seja bem-vindo(a)!

Entre em sua conta abaixo

Esqueceu sua senha? Registrar-se

Crie sua conta :)

Preencha o formulário para se registrar

*Ao se registrar em nosso site você aceita as nossas Políticas de Privacidade e Uso.
Todos os campos são obrigatórios Entrar

Recupere sua senha

Por favor insira seu Usuário ou Email para recuperar a sua senha

Entrar
  • Entrar
  • Registrar-se
  • Anápolis
  • Política
  • Economia
  • Segurança
  • Saúde
  • Educação
  • Emprego
  • Esportes
  • Entretenimento
  • Gastronomia
  • Mulher
  • Geral
  • Opinião
  • Versão Flip
  • Anuncie Conosco
  • Quem Somos
  • Contato
  • Políticas de Privacidade e Uso
Nenhum Resultado
Ver Todos os Resultados

Jornal Contexto de Anápolis. Todos os direitos reservados © 2025 – Feito com Pyqui