Marcos Vieira
Um ensinamento que se consolida na eleição deste ano: em Anápolis, quem bate perde. Ficou claro que o candidato que tem uma postura mais agressiva, que insiste em criticar mais o adversário do que apresentar propostas próprias, perde votos e fica relegado a coadjuvante no processo.
Voltando ao passado, a eleição de 2008 traz talvez o caso mais conhecido. Naquele pleito, dois favoritos na campanha para prefeito de Anápolis, Ridoval Chiareloto e Valdair de Jesus, se envolveram em uma disputa ferrenha de troca de acusações que lhe custaram a ida ao 2º turno e causaram desgaste em suas imagens.
Aquele pleito praticamente inseriu o jogo sujo na internet. Antigamente os panfletos apócrifos com mentiras eram arremessados de madrugada nas ruas da cidade. A partir de 2008, a postagem anônima de um vídeo no Youtube representou o início de uma briga que teve registros em delegacias de polícia e declarações pesadas na imprensa.
O embate mais contundente em uma eleição sempre foi marca de Anápolis, mas o eleitor sempre soube diferenciar o perfil de cada discurso: a disputa por apresentar a melhor proposta ou questões de cunho ideológico são aceitas, mas a falácia que descamba para o lado pessoal e, sobretudo, não apresenta provas, prejudica mais o estilingue do que a vidraça.


Embate histórico ocorreu nas eleições de 2008, entre os candidatos, à época, Ridoval Chiareloto e Valdair de Jesus
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Dono de um capital político interessante, construído na eleição de 2016, o advogado Valeriano Abreu acabou 2020 com menos de 1/3 do apoio conquistado nas urnas na sua primeira disputa para prefeito. Se na estreia em eleições majoritárias ele teve 23.520 votos e foi a grande surpresa da campanha, agora seu desempenho caiu para 7.237 votos.
A necessidade de encarnar o antagonismo diante do PT, seguindo principalmente os preceitos bolsonaristas, e a necessidade de também tentar polarizar com a atual administração fez com que Valeriano, que disputou a eleição pelo PSL, fosse visto na maior parte do tempo atacando os adversários, ao invés de apresentando propostas.
A postura definitivamente afugentou o eleitor, que acabou elegendo como terceira via o candidato emedebista Márcio Corrêa, que angariou 29.044 votos. Esse soube usar o marketing para fazer críticas, mas apareceu ao público com uma imagem mais leve, sem o semblante pesado de quem acusa. Um fato que sempre deixa o eleitor com o pé atrás e faz o candidato perder votos é quando ele parte para ataques mais pesados nos programas eleitorais da televisão. Invariavelmente a Justiça Eleitoral acaba dando direito de resposta para aquele que é atingido. E isso é visto pelo eleitor como uma agressão desproporcional por parte de quem ataca, dando ainda a sensação de que foi preciso que um juiz intervisse para restabelecer a normalidade. Baixaria não rende votos.