A noite de segunda-feira, 23 de fevereiro, marcou um capítulo histórico para a cultura e a filantropia de Anápolis com a estreia do filme O Louco dos Mendigos
Com as salas do Anashopping completamente tomadas por fiéis, autoridades e a equipe de produção, o longa-metragem de 83 minutos narra a trajetória resiliente do Reverendo Wildo dos Anjos, falecido em agosto de 2025.
O filme, que custou apenas R$ 40 mil, revela desde os traumas da infância do pastor até a fundação da Missão Vida, instituição que hoje acolhe mais de mil homens em dez estados brasileiros e mantém projetos educacionais até em Madagascar.

Herança e atuação
Para Henrique dos Anjos, filho do reverendo e um dos produtores da obra, interpretar o próprio pai na fase jovem foi um desafio espiritual e emocional. Henrique dos Anjos, que também atua como ator no filme, destaca que a produção, realizada entre 2020 e 2022, serviu para eternizar a visão do “mendigo de terno”, apelido que Wildo usava por sempre pedir em favor dos necessitados. “O sonho do meu pai com este filme não era o lucro, mas sim desafiar as pessoas a não desprezarem os pequenos começos, especialmente os ‘pobres de Deus'”, afirma Henrique dos Anjos, emocionado com a recepção do público.
Além de atuar, Henrique dos Anjos reforça que a viabilização do projeto contou com recursos do próprio reverendo e doações específicas. Ele explica que a obra é um testamento de fé que sobreviveu a provações severas, como o infarto que o pai sofreu em pleno voo anos antes de sua partida definitiva. “Queremos incentivar cada espectador a olhar para o marginalizado como alguém que pode ser transformado pelo poder do Evangelho”, pontua Henrique dos Anjos, reiterando que a bilheteria será revertida para a manutenção da Missão Vida.
Apoio e reconhecimento
A sessão de estreia também contou com a presença de figuras históricas da cidade, como a ex-primeira-dama Onaide Santillo. Durante o período em que seu marido, Adhemar Santillo, foi prefeito, ela acompanhou de perto o nascimento dos projetos de Wildo e a transição do pioneiro “Sopa, Sabão e Salvação” para a estrutura robusta da Missão Vida. “O pastor Wildo era tido por muitos como louco porque abraçou uma causa que a sociedade considerava perdida e inconveniente”, relembra Onaide Santillo, destacando o empenho incansável do líder religioso.

A ex-primeira-dama, que sempre foi uma entusiasta do trabalho social na região, enfatiza que a ligação da prefeitura com a Missão Vida foi intensificada pelo carisma e pela seriedade do pastor. Onaide Santillo observa que o filme faz justiça à memória de um homem que enfrentou hostilidades até dentro de instituições religiosas para erguer um império de solidariedade. “Ver essa trajetória na tela é a prova de que a dedicação aos ‘invisíveis’ gera frutos que permanecem mesmo após a partida de seu idealizador”, declara Onaide Santillo, visivelmente tocada pela produção.
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