Um somatório de fatores revelados por levantamentos feitos pela Câmara de Dirigentes (CDL) Lojistas e sistemas correlatos, trouxe intensa preocupação para a economia de Anápolis.
Não bastasse a perda de posição (saiu da terceira para a quarta) da Cidade no ranking da economia goiana, outros dados aumentam, paulatinamente, o temor de uma crise sem precedentes no comércio varejista, principalmente o setor de lojas.
Nos últimos tempos, empresas consolidadas, com muitos anos de funcionamento ininterrupto na Cidade enceraram suas atividades, fecharam as portas e migraram para outras regiões. Um dos exemplos foi o Magazine Luiza, referência no comércio de calçados, confecções e outros artigos para uso pessoal.
Agora, saiu o anúncio de que a Têxtil Abril, também, se despede de Anápolis, depois de mais de três décadas em funcionamento na esquina das ruas Rui Barbosa e Engenheiro Portella, endereço emblemático do comércio anapolino. Sem contar uma famosa rede de supermercados que, também, deixou de atuar no Município ao fechar duas lojas.
O sinal de alerta foi ligado há alguns anos, ao mostrar o enfraquecimento do comércio lojista, principalmente no chamado “quadrilátero central”, numa linha imaginária entre as ruas Rui Barbosa,14 de Julho, Barão de Cotegipe e Manoel D’Abadia. Foram muitas as desativações de empresas comerciais, de todos os portes.
Um exemplo clássico é a área entre a Travessa Dona Senhora e a Praça James Fanstone, outrora tradicional, onde funcionavam bares, restaurantes, sorveterias e similares (e, até, um cinema) que, hoje, agoniza sem um comércio mais ativo. Iguais a este endereço existem vários outros, como a região contígua ao cruzamento da Rua Manoel D’Abadia e Avenida Goiás.
Estabelecimentos tradicionais que ali existiam, acabaram por ser desativados. Este fenômeno é explicado por diversas versões, mas apresenta, pelo menos, cinco explicações.
Decadência prevista
Em recente reunião promovida pela Câmara de Dirigentes Lojistas, com a participação de técnicos, engenheiros, arquitetos e lideranças empresariais, o tema foi, exaustivamente, debatido e o entendimento é de que havia, uma certa previsão do enfraquecimento do comércio lojista tradicional.
Um dos motivos apontados foi a evolução do e-commerce, ou, compra e venda pela internet, o que desobriga muita gente de ir às lojas físicas. Também, abordou-se a problemática do trânsito na região central, com a falta de mais opções de estacionamentos, uma sinalização mais efetiva e a vigilância para se garantir a rotatividade.
Também, foi dito que a falta da chamada sensação de segurança influencia para este estado de coisas, pois a população, em grande parte, não se sente segura em deixar suas casas, principalmente no período noturno.
Há muitos relatos de abordagens agressivas por parte de moradores de rua, furtos, roubos e outros crimes contra o patrimônio e contra a pessoa.
Outra ponderação para o enfraquecimento do comércio na região central é valor considerado abusivo e impraticável dos alugueis. Por fim, a falta de atrativos para o entretenimento e o lazer da comunidade não desperta o interesse dos moradores que optam por visitar os shoppings e fazerem suas compras nos centros comerciais dos bairros onde residem. Desta forma, as famílias se sentem desobrigadas e desmotivadas para saírem do conforto de suas moradias para buscarem a região central.
Um equívoco, pois, milhares de famílias residem em prédios de apartamentos na região central e são obrigadas a procurarem por setores mais remotos para as compras e outras atividades econômicas. Na região da Praça Bom Jesus, por exemplo, depois de seis da tarde, dificilmente se encontra uma loja, um supermercado, uma panificadora com as portas abertas.
Todos esses assuntos foram discutidos em mais uma reunião na CDL que promete ir a fundo em busca de soluções satisfatórias, sob pena de se ver o tradicional centro comercial de Anápolis cada vez mais decadente.
Soluções propostas
Na reunião da CDL surgiram ideias e propostas, algumas exequíveis em curto prazo, mas que, dependem, diretamente, de ações do poder público.
O entendimento de que a Prefeitura pode promover a revitalização urbanística, com iluminação mais moderna nas praças, ruas e avenidas, melhorar a sinalização de trânsito e criar o controle efetivo da vagas para estacionamentos foi uma espécie de unanimidade, a partir, principalmente, da justificativa de que a atual Administração Municipal estaria interessada em ativar um projeto imediato de melhorias na região.
Também surgiram críticas à desordem no comércio ambulante e cobrou-se a promessa da Prefeitura em criar locais adequados para esses trabalhadores de rua. Em médio, ou, longo prazos, aventou-se, até, a criação de novos espaços de lazer, como o Parque Ipiranga.
Citou-se, inclusive, uma área entre as vilas Brasil e Santa Maria, fundos do Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida” para tal projeto.
Espaços tradicionais
Também, discorreu-se sobre um sistema de divulgação e de incentivo com vistas a atraírem-se os anapolinos para a parte central da Cidade, uma espécie de renascimento da economia local e a volta da frequência do público a locais tradicionais, como o Mercado Municipal “Carlos de Pina”, o Museu de Artes, as igrejas e outros ambientes outrora pontos de encontro das famílias.
Entendeu-se que, as pessoas não vão ao centro pura e simplesmente para comprarem, o que podem fazer de outras formas. Os cidadãos querem atividades de lazer e entretenimento, momentos lúdicos que podem incentivar a reconquista do terreno perdido na economia de Anápolis.
De acordo com a CDL, este assunto vai ser discutido exaustivamente e, para os debates, serão convocadas todas as força vivas da Cidade e do Estado. O entendimento é de que não se trata de “uma volta ao passado” e sim, a reconquista de um importante espaço que pode fazer a diferença na economia e na qualidade de vida do povo anapolino.
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