O problema da gestão dos resíduos sólidos no Brasil não é recente. De Norte a Sul, em pequenas, médias e grandes cidades, a questão do lixo urbano permanece como desafio constante. Quanto mais estruturada economicamente é uma população, maior tende a ser a produção de resíduos. O paradoxo é que grande parte desse lixo poderia ser transformada em riqueza, mas acaba descartada por falta de técnicas adequadas de reaproveitamento e valorização.
Por Vander Lúcio Barbosa
Apesar de ser tema recorrente em discursos, a reciclagem ainda não se consolidou como prática efetiva. Tornou-se comum falar em reaproveitamento e economia circular, mas as ações concretas são escassas. A maioria das pessoas desconhece processos básicos de reciclagem, e muitas sequer se interessam. As escolas não ensinam, as famílias não orientam e as autoridades, em geral, ignoram o problema. Enquanto isso, montanhas de resíduos se acumulam, gerando impactos ambientais e sociais.
Recentemente, o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Investimento na Reciclagem Popular, inspirado no modelo de fortalecimento da agricultura familiar. Com aporte inicial de 10 milhões de reais da Caixa Econômica Federal, o programa pretende apoiar catadores e catadoras, valorizando seu trabalho e promovendo a erradicação humanizada dos lixões. Entre as novidades está o aplicativo Cataki.gov, previsto para 2026, que permitirá organizar a reciclagem em locais sem coleta municipal. No papel, a iniciativa parece promissora, mas seu êxito dependerá de aplicação prática e fiscalização rigorosa.
Ainda assim, o texto ressalta que a verdadeira revolução passa pelo ambiente doméstico e escolar. Sem conscientização efetiva de crianças, jovens e adultos, qualquer investimento em campanhas midiáticas será insuficiente. É preciso que a educação ambiental seja incorporada ao cotidiano, transformando hábitos e consolidando uma cultura de reaproveitamento.
A questão do lixo urbano é, além de uma necessidade social, um compromisso com a cidadania. Governos, escolas, famílias e indivíduos precisam agir de forma integrada. Afinal, todos somos passageiros de um mesmo barco, e a sustentabilidade depende da consciência e participação coletiva.
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