Perícia detalha ataque, execução e descarte do cadáver
A investigação da Polícia Civil de Goiás (PCGO) concluiu que o síndico Cléber Rosa teve 43 minutos entre o ataque, a execução e a ocultação do corpo da corretora Daiane Alves, em Caldas Novas. Imagens de câmeras de segurança e laudos periciais permitiram reconstruir a dinâmica do crime.
Segundo a corporação, o ataque inicial ocorreu no subsolo do condomínio onde vítima e suspeito moravam. Cléber Rosa utilizou um instrumento contundente para incapacitar Daiane sem efetuar disparos dentro do prédio. A corretora foi retirada ainda viva do edifício e colocada na caminhonete do síndico, com sinais vitais.
Execução
A perícia confirmou que os dois disparos que atingiram o crânio da vítima foram realizados em uma área de mata às margens da GO-213, a cerca de 15 quilômetros do condomínio. Os projéteis foram deflagrados, provavelmente, no local onde a ossada foi encontrada 42 dias após o desaparecimento.
A ausência de vestígios de tiros no subsolo reforçou a hipótese de que a execução ocorreu fora do prédio. O cruzamento dos laudos cadavéricos apontou que a morte foi causada pelos disparos efetuados na região erma.
Tempo do crime
Imagens recuperadas mostram que o síndico deixou o condomínio pouco após as 19h com a caminhonete de capota fechada e retornou 43 minutos depois com a capota aberta. De acordo com a PCGO, o intervalo foi suficiente para o trajeto até a rodovia estadual, a execução e o descarte do corpo.
A análise técnica do tempo de deslocamento coincidiu com o período de ausência do suspeito, permitindo à Polícia Civil concluir que o crime e a ocultação ocorreram dentro desse intervalo.
Motivações e histórico
A Polícia Civil informou, em coletiva realizada nesta quinta-feira (19/2), que as desavenças entre Daiane Alves e o síndico começaram quando ela assumiu a gestão de apartamentos antes administrados por ele.
Meses antes de desaparecer, em dezembro de 2025, Daiane já havia prestado depoimento sobre perseguições e agressões que vinha sofrendo. Ela registrou vários boletins de ocorrência contra Cléber Rosa.
De acordo com o relatório final, a motivação do homicídio está ligada à concorrência no mercado imobiliário local, especialmente na locação de imóveis de temporada. Para os investigadores, o síndico via a atuação da corretora como ameaça financeira e iniciou uma escalada de hostilidades.
O inquérito aponta perseguição sistemática, monitoramento da rotina e interrupção proposital de serviços essenciais no apartamento da vítima, como cortes de energia, água e gás.
O dossiê reúne ainda denúncias de calúnia, injúria e registros de agressões físicas. Segundo a Polícia Civil, o assassinato não foi um ato isolado, mas o desfecho de uma sequência de conflitos relacionados à disputa de mercado no condomínio.
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