
Escada para o Paraíso (Stairway to Heaven), poema metafórico, esotérico, escrito há mais de 55 anos pelo músico inglês Robert Plant e musicado por uma das melhores bandas de Rock de todos os tempos, Led Zeppelin, pode e deve ser interpretado como uma crítica simbólica aos valores materiais, à falsa espiritualidade e à crise de sentido do homem moderno. Ditos fatores eternizaram o poema e a tornou a música mais ouvida nos últimos 55 anos. Ouso, neste pequeno espaço, comparar o poema que fala menos de paraíso e mais da ilusão humana, para dizer que é um retrato cru do Brasil nos dias de hoje, porquanto é um alerta poético contra a ilusão de que o sentido da vida, a redenção ou a felicidade possam ser compradas.
O poema começa com uma imagem poderosa: uma mulher convencida e orgulhosa de que tudo que reluz é ouro e que, portanto, pode comprar uma escada para o paraíso. Em tom profético o poema alerta que seguimos acumulando vaidade, ambição e excessos enquanto nossa alma encolhe e o verdadeiro caminho não é vertical nem externo, é interior, silencioso e exigente. E cá prá nós, a nação brasileira insiste no mais fácil, sabendo que o fim será frustração, desigualdade e descrédito institucional. E vamos que vamos comprando escadas porque construir caminhos exige caráter, e caráter não se terceiriza. Por isto transformamos a metáfora do poema em prática cotidiana.
Sim, pura verdade que aqui em nosso Brasil varonil, a escada para o céu tem preço, tem propaganda e tem palco. Vende-se prosperidade sem trabalho, fé sem ética, poder sem preparo e sucesso sem mérito. Mais que isto: o esforço virou coisa de ingênuo; a disciplina, um atraso. Preferimos a esperteza à inteligência. Na política, a escada assume a forma do salvador da pátria. Promete redenção instantânea, distribui inimigos imaginários e exige fé cega. Não constrói instituições; desmonta-as. Não educa; mobiliza ressentimentos. Não governa; performa.
Sim, é inegável que, por aqui até a fé foi banalizada, virou espetáculo e negócio. Deus passou a ser argumento de poder, não fonte de ética. Ora-se muito, pratica-se pouco. O céu é anunciado aos gritos; o próximo, ignorado em silêncio. Na economia, consagra-se a ostentação em um país desigual. Exibe-se luxo sobre alicerces podres como desigualdade social sem paralelo. Celebra-se o consumo enquanto se despreza a educação, a ciência e o planejamento de longo prazo e médio prazo. Quer-se resultado imediato num país que nunca aprendeu a esperar.
Como no poema discutido e até os dias atuais, o diagnóstico é brutal: nossas sombras cresceram mais do que nossa alma. A vaidade pública, o culto à imagem e a lógica do levar vantagem tornaram-se política de estado informal. Falamos em futuro, mas agimos como quem vive de improviso. Porém, é bom levar em conta, sempre teremos tempo de correção, prevê o poema, que avisa que há dois caminhos e que não haverá milagre econômico, redenção política ou avivamento moral enquanto insistirmos em atalhos ou caminhos errados, até porque nenhuma nação amadurece sem enfrentar suas próprias ilusões.
E o vaticínio é duríssimo: ou o Brasil abandona a escada das aparências e começa pavimentar o chão da educação, da ética e da responsabilidade coletiva ou seguirá subindo, eternamente, uma escada que não leva ao paraíso, mas ao vazio e à frustração coletiva: uma nação pobre, sem sonhos e sem futuro. Lamento fazer parte deste contexto histórico. Porém, só posso chorar ou entristecer: é o que faço! Convido-o, prezado leitor, para sofrer comigo! Faz bem! Sim, vale muito, também, curtir a música que tem o poema metafórico mais discutido, às vezes nã compreendido, e eternizado de todos os tempos (Stairway to Haven). Bora?
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