O tarifaço anunciado pelo presidente americano Donald Trump, caso venha mesmo a se efetivar a partir do mês de agosto, deve provocar um verdadeiro rebuliço nos indicadores de comércio exterior entre o Brasil e os Estados Unidos.
E Anápolis, que não é uma ilha no mundo globalizado, poderá também sentir os efeitos em sua balança comercial. Embora, diga-se de passagem, o país do Tio Sam não seja o nosso principal comprador ou fornecedor. O principal, inclusive, é um país que antagoniza economicamente com os EUA, a China.
Conforme dados levantados pelo CONTEXTO em plataforma de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC), em 2024, as exportações por Anápolis para os Estados Unidos, foram na casa de, apenas, US$ 121 milhões. A participação foi de 1,5%, ficando o país em 14º lugar entre os países que tiveram como destino as exportações feitas pelo município.
Conforme o balanço, os três principais parceiros nas exportações ´por Anápolis, no ano passado, foram: Indonésia- US$ 38,1 milhões (25% de participação); Polônia- US$ 31,9 milhões (21% de participação) e Tailândia- US$ 15,4 milhões (9,9% de participação).
Nas importações por Anápolis, os EUA ficaram no quinto lugar, com US$ 119 milhões e participação de 5,4%. Atrás de Índia- US$ 129 milhões (5,8% de participação); Suíça- US$ 259 milhões (12% de participação); Alemanha- US$ 391 milhões (18% de participação) e China- US$ 902 milhões.
Corrente de Comércio
Agora, considerando a corrente de comércio, que é a soma de tudo que é exportado e importado por Anápolis, os Estados Unidos ficaram na quinta posição, com pouco mais de US$ 121 milhões e participação de 5,1%, atrás de Índia- US$ 130 milhões (5,5% de participação); Suíça- US$ 260 milhões (11% de participação); Alemanha- US$ 391 milhões (16% de participação) e a China lá em primeiro no ranking, com US$ 902 milhões (38% de participação).
Reação do Brasil
Logo após o anúncio da taxação de 50% para entrada de produtos brasileiros nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente Donald Trump, o presidente Lula divulgou uma nota à imprensa, destacando que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.
Ou seja, o governo brasileiro também poderá adotar medidas restritivas de comércio exterior com os Estados Unidos.
A mesma nota traz, ainda a informação de que “é falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano”.
Conforme o texto, as estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil são da ordem de US$ 410 bilhões ao longo dos últimos 15 anos.
Fato é que, a taxação imposta pelos EUA, se concretizada, deve provocar vários efeitos na economia brasileira, conforme tem sido divulgado na imprensa. A começa, por exemplo, por uma escalada do dólar, com desdobramentos sobre a inflação nossa de cada dia.
E, claro, o efeito nos indicadores de comércio exterior entre os dois países. As indústrias que exportam para os EUA sofrerão grande impacto. O que pode resultar em desemprego e redução de investimentos.
Conforme o anunciado pelo governo americano, a taxação de 50% começa a vigorar a partir de 1º de agosto. Daqui até lá, é o prazo que a diplomacia terá para entrar em campo e tentar reverter a situação.
Leia também: App Conecta Anápolis facilita acesso da população aos serviços públicos
