Todos os dias somos soterrados com informações vindas dos mais diferentes veículos de comunicação. Se no final do século passado a televisão parecia ser a grande vilã social é porque não tínhamos noção do que estava por vir com a Internet e as redes sociais. Calma. Não tenho a intenção de demonizar as novas formas de interação das pessoas e o desenvolvimento tecnológico. Apesar de não ser um adepto do mundo digital, tenho consciência dos avanços e benefícios decorrentes de sua disseminação. Em contrapartida, manter certa distância me permite enxergar, também, os prejuízos trazidos pela ´virtualização´ dos relacionamentos. Eu gosto de gente! Na verdade, eu amo gente! Gosto de abraços apertados, de olhar nos olhos, de perceber as reações e de tentar identificar a leitura corporal. Prefiro cinco minutos de uma conversa pessoal que uma hora de ligação telefônica; prefiro ouvir uma frase ao vivo, que um áudio de dez minutos ou um longo texto cheio de abreviações e figuras. Não uso aplicativos de mensagens, mas envio e recebo e-mails. Utilizar algo disponível significa apenas uma adaptação e não uma preferência. Um comercial de TV recente mostra uma brincadeira entre pai e filha por meio de vídeo-chamada no celular. O pai está no trabalho e a filha em casa. A princípio pode parecer algo maravilhoso: a tecnologia aproximando a família. Seria ótimo se fosse apenas isso. Mas basta uma breve reflexão para surgir a dúvida: será que a brincadeira se repete quando estão juntos em casa? Pode ser que sim, mas pode ser que não. Pode ser que, quando chega em casa, o pai esteja exausto do trabalho e prefira sentar-se à frente da televisão para ver o noticiário ou usar o tablet/celular para acessar suas redes sociais e conversar com os contatos do Whatsapp. E, simultaneamente, a filha pode estar entretida com suas próprias mensagens, postando ou curtindo fotos. Provavelmente o pai não conhece 10% dos quase mil ´amigos´ virtuais da filha. O que poderia aproximar tem afastado. As relações virtuais estão desconectando as pessoas dos contatos pessoais. Por que estou falando sobre isso se essa questão já foi levantada milhares de vezes por especialistas? Simples: porque eu amo gente! E acho que gente precisa de gente ao vivo e a cores. É bonito pensar que uma curtida em determinada foto pode resultar na doação de certo valor a uma pessoa que precisa. Só que isso não te traz a satisfação pessoal de uma hora de trabalho voluntário durante a semana. Segundo um estudo da Universidade de Michigan divulgada em 2016, as pessoas que atuam como voluntárias movidas pelo amor ao próximo vivem em média quatro anos mais e com melhor qualidade de vida porque o voluntário vivencia um poderoso sentimento de satisfação, resultado da diminuição do stress e da liberação de endorfinas, neurotransmissores que provocam sensação de felicidade. E se os benéficos são muitos para quem faz, imagine o que provoca em quem recebe o carinho, a atenção e tudo mais que esse contato certamente trará. Voluntariado é via de mão dupla: é dar e receber amor de verdade. É vida em tempo real, sem edição ou filtros. É gente interagindo com gente. Pense nisso e procure uma maneira de viver essa sensação. Você não vai se arrepender!
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