Os saudosistas vão se lembrar dos tempos do “Orelhão”, apelido dado ao Telefone de Uso Público (TUP). E não vamos longe, porque seis anos atrás, ainda havia 330 equipamentos desse instalados em vários pontos do município, segundo informa o site da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Hoje, conforme também conta na plataforma da Agência, só tem um aparelho no município, localizado no distrito de Goialândia e ele está com status de “em manutenção”.
Essa “manutenção”, inclusive, nem deve chegar porque a partir desse ano, as empresas de telefonia do país não são mais obrigadas a manterem em funcionamento os TUPs, uma vez que em dezembro do ano passado, foram encerradas as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos 38 mil Orelhões ainda existentes no Brasil e, claro, esse “filho único” de Anápolis.
Questões regulatórias e legais à parte, os Orelhões foram muito utilizados pelos anapolinos, seja nas cabines de rua ou nas cabines que eram operadas por empresas, sobretudo, para as ligações interurbanas.
Na rua, inicialmente, os Orelhões funcionavam à base de uma ficha. Depois de colocada no dispositivo, uma ligação local durava em torno de 3 minutos. Nas chamadas DDD (Discagem Direta à Distância) para outras localidades, a ficha caia rápido, cerca de 18 segundos.
Depois vieram os Orelhões de cartões. Eles foram implementados no país na década de 1990, com o advento da ECO92 (um evento similar à COP30). Era a tecnologia chegando. Ao adquirir um cartão, o usuário tinha um crédito que podia ser de 20, 50 ou 100. Quanto mais crédito, mais tempo para a conversa.
Muita gente, então, passou a guardar os cartões usados e formar coleções. E, hoje, pode-se se encontrar algumas dessa coleções à venda nos sites de e-commerce. Uma coleção com 1.200 cartões estava sendo vendida a R$ 2.050,00. Até mesmo fichas podem ser achadas para compras nesses sites. Num deles, uma ficha de 1982 estava custando R$ 81,02.
E já que estamos falando ainda em ficha, a expressão “caiu a ficha” vem do tempo do Orelhão e permanece hoje com uso frequente, quando a gente vai dizer que entendeu ou percebeu alguma coisa de forma súbita.
A cobrar
Nos Orelhões, também era possível fazer ligações a cobrar. Antes do número, era preciso discar o 9090 e, a partir daí, vinha uma mensagem: “Após o sinal, diga o seu nome e a cidade onde está falando”.
A pessoa do outro lado da linha podia aceitar ou rejeitar a chamada. Se aceitasse, claro, pagaria por ela. Era um recurso muito utilizado pelos usuários para casos de emergência. Chamadas a cobrar à noite eram sinais de notícias ruins, muitas vezes, com o para informar a partida de um ente querido. Mas, podia ser também uma boa notícia, como a informação de um filho ou neto que estava nascendo.
O que não falta é história na história dos Orelhões. Eles farão falta. Daqui a pouco, serão uma preciosidade e depois, será uma raridade.
As novas tecnologias aprimoraram as formas de comunicação e conectividade entre as pessoas. Um aparelho de celular é “um mundo” na palma da mão. E, assim, o Orelhão fica na lembrança e na memória.
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