Antônio Braz ou, apenas Braz, como é conhecido, guarda muitas histórias ao longo da jornada de trabalho pelo Município
José Braz da Cunha, de 67 anos, é um fiscal de postura de Anápolis que já está na função há 38 anos. Durante todo esse tempo, ele vem trabalhando para garantir a paz e o sossego da população do município.
Em entrevista ao CONTEXTO, ele conta que a função de fiscal de postura mudou muito ao longo do tempo, especialmente com a chegada da tecnologia e com a diminuição do efetivo, de 40 para 17 fiscais. “Antes saíamos a pé ou de bicicleta, com o bloco de autuação e uma caneta. Poucos tinham telefone. Éramos abordados na rua pelos moradores ou víamos nós mesmos o desrespeito das normas”, relembra.
“Hoje contamos com três viaturas e um serviço informatizado. Mas o volume de trabalho aumentou muito. Tomamos conta de muita coisa”, completa.
Atualmente, Braz, como é conhecido, acorda cedo todos os dias para começar seu trabalho. Seu dever é verificar se há algum problema nas ruas da cidade, como lixo acumulado ou entulho.
Depois, ele passa pelos comércios locais para se certificar de que estão em conformidade com as normas municipais. Antigamente ele era responsável por fiscalizar os eventos da cidade para garantir que não perturbassem o sossego dos moradores.
“O som alto, seja urbano ou na área rural, onde também é proibido, era uma das coisas que mais nos trazem problemas. Muitas vezes precisávamos solicitar o apoio da Polícia Militar. Agora, depois de um acordo com o Ministério Público, essa função ficou com a PM”, relata.
“Também é nosso dever retirar animais das ruas, impedir a criação de porcos e galinhas, o trânsito de carroças, a invasão de áreas públicas ou de preservação ambiental e a proliferação do comércio de ambulantes, que atualmente está difícil de ser controlado”, testemunha o fiscal.
Motivado
Mas, Braz segue motivado. Ele diz que “alguém tem que fazer o trabalho” e que se sente grato quando algum morador tem seu transtorno cessado. “
É bom quando reconhecem nossa intenção, nosso dever, que é garantir que as normas municipais sejam cumpridas e que a cidade seja mantida limpa, organizada e segura para a população”, pontua.
No entanto, essa tarefa muitas vezes não é compreendida pelos moradores, que podem se sentir hostilizados com as fiscalizações e multas aplicadas. Braz conta que já presenciou diversas situações de agressões físicas por parte da população. Numa delas, seu colega José Cardoso levou um tiro no braço.
Há três meses, uma mulher atirou pedras contra os fiscais e a PM, enquanto outra usou um pedaço de pau. Eles foram atingidos na cabeça e a mulher está presa até hoje. Esses episódios demonstram como a violência pode estar presente no dia a dia do fiscal de postura.
“Temos que ter muita paciência e jogo de cintura. Não é uma função para qualquer um”, completa.




