Suspeito desembarca em São Paulo nesta quarta-feira (25)
Procurado pela Interpol pelo crime de falsificação de moeda, o goiano Matheus Toribio Rey de Sousa informou ao portal Mais Goiás que pretende se entregar nesta quarta-feira (25), em São Paulo, onde desembarca na manhã do mesmo dia. Ele, que estava na Inglaterra, afirma que tomou a decisão de retornar ao Brasil de forma espontânea.
O jovem, de 25 anos, diz ter falsificado milhões de reais entre os 16 e 20 anos, período em que encerrou a atividade criminosa. “Melhor pagar enquanto ainda estou novo.”
Mandado
O mandado de prisão preventiva foi expedido em 2025, dois anos após ele deixar o Brasil. O pedido partiu da Polícia Federal do Rio de Janeiro à 2ª Vara Federal de Volta Redonda (RJ), um dos locais onde responde pelo crime. A decisão considera a permanência do acusado fora do País.
“O comportamento processual do réu evidencia clara tentativa de se furtar à persecução penal, o que reforça a necessidade de sua segregação cautelar, pois medidas alternativas já se demonstraram insuficientes”, diz trecho da decisão.
“A fuga do réu e sua permanência no exterior dificultam a condução do processo e comprometem a efetiva aplicação da lei penal, justificando, assim, a decretação de prisão preventiva e a adoção de medidas internacionais para sua captura e extradição”, continua o documento.
Ainda antes, em 2024, o juízo demandou ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, o início do processo de extradição. “Dada a natureza da notificação vermelha e a possibilidade de deslocamento do foragido, enfatizo a necessidade de tratamento urgente de todas as comunicações e procedimentos relacionados a este caso.”
O investigado afirma que não foi condenado no processo de Volta Redonda, mas possui condenações em Minas Gerais e Tocantins. Ele também revela que houve pedido de detenção em 2024, porém o advogado à época teria feito um acordo para retorno sem consultá-lo. Por questões pessoais, ele não retornou naquele momento, o que motivou o novo pedido de prisão preventiva.
Retorno ao Brasil
A decisão de voltar ocorre, segundo ele, pelo receio de ser detido no Reino Unido e enfrentar um processo de extradição. Ao portal, afirmou que prefere responder à Justiça brasileira, seja em liberdade ou cumprindo pena no sistema nacional.
Ele diz já ter cumprido 11 meses em regime fechado e espera que o período seja considerado. Além disso, acredita na unificação das penas. Ele cumpriu pena no presídio de Anicuns.
Segundo o investigado, o mandado atual, originado no Rio de Janeiro, não apresentava informações detalhadas quando analisado pela Justiça inglesa em janeiro deste ano, o que evitou a prisão imediata em Londres. Ainda assim, ao considerar que a situação jurídica poderia se agravar, decidiu custear a própria volta ao Brasil. “Vou por livre e espontânea vontade para evitar o constrangimento de ser preso aqui e para resolver minha situação de uma vez por todas.”
Ele atuava em Londres como entregador de comida e também possui uma empresa de compra e venda de ouro. Em 2021, foi preso suspeito de roubar uma barra de ouro de 18 quilates, mas afirma que foi inocentado em primeira instância, embora ainda não tenha apresentado a decisão.
Relata que iniciou a prática criminosa aos 16 anos, quando adquiria notas falsas para compras simples. “Para fazer graça para as gatinhas”, disse. Posteriormente, passou a revender cédulas para diversos estados. “Minha cartela de clientes era grande.”
Segundo ele, a atividade foi encerrada em 2021, antes de se mudar para a Europa, onde passou a atuar em atividades lícitas. “Foi um erro da juventude, aquela emoção. Quando percebi os problemas que isso implicava, nunca mais fiz. Quando me mudei para a Inglaterra, era para trabalhar. Nem sabia desse processo em Volta Redonda”, afirma, acrescentando que foi orientado a se entregar.
Defesa apresentada
Em nota, o advogado Cainã Camargo Jacundá afirmou que os fatos atribuídos ao cliente “remontam a um período pretérito de sua vida, marcado por juventude e imaturidade”. Segundo ele, nem todas as acusações se comprovaram e há decisões absolutórias no processo.
“A defesa de Matheus Toríbio esclarece que os fatos a ele atribuídos, relacionados ao artigo 289 do Código Penal, remontam a um período pretérito de sua vida, marcado por juventude e imaturidade.
Importa destacar que, ao longo da tramitação dos processos, o próprio Poder Judiciário já reconheceu, em diversas ocasiões, a inconsistência de determinadas imputações. Há decisões absolutórias proferidas na Justiça Federal, inclusive com entendimento firmado pelo Tribunal Regional Federal no sentido de que determinadas cédulas apreendidas não possuíam aptidão real para induzir terceiros em erro, especialmente quando analisadas isoladamente.
Portanto, importante destacar que, nem todos os fatos atribuídos a Matheus resistiram ao crivo técnico do Judiciário, o que reforça a necessidade de cautela, responsabilidade e rigor na análise do caso.
Insta salientar ainda que, após esse período, Matheus deixou o Brasil e iniciou uma nova fase de vida no exterior. Em Londres, construiu, com esforço próprio, uma trajetória digna, pautada pelo trabalho, pela legalidade e pelo afastamento completo de qualquer situação que pudesse comprometer sua conduta.
Agora, de forma espontânea, consciente e absolutamente voluntária, decidiu retornar ao Brasil com um objetivo claro: apresentar-se à Justiça Federal, enfrentar todos os processos em aberto e regularizar integralmente sua situação jurídica.
A defesa ressalta que tal postura evidencia responsabilidade, boa-fé e compromisso com a legalidade, devendo os fatos ser analisados com equilíbrio, à luz das decisões já proferidas e das particularidades de cada caso.”
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