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Goiás concentra mais de 10 mil venezuelanos e ocupa 10ª posição no ranking nacional

de Redação
5 de janeiro de 2026
em Geral, Goiás
Reading Time: 4 mins read
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Foto: Hugo Barreto

Foto: Hugo Barreto

Estado abriga mais de 10 mil imigrantes venezuelanos, segundo registros oficiais da Polícia Federal

Goiás aparece como o 10º estado brasileiro que mais acolhe venezuelanos, conforme dados do Sistema de Registro Nacional Migratório, da Polícia Federal, obtidos pelo portal Mais Goiás. Atualmente, o Estado concentra uma das maiores comunidades de imigrantes da Venezuela na região Centro-Oeste.

Números oficiais

Em outubro de 2025, viviam em Goiás 10.703 pessoas nascidas na Venezuela. Desse total, 5.533 eram homens e 5.162 mulheres, o que demonstra um equilíbrio de gênero entre os imigrantes registrados no Estado.

Além disso, os números goianos se aproximam dos registrados em outras unidades do Centro-Oeste. Mato Grosso contabilizava 18.824 venezuelanos, enquanto Mato Grosso do Sul somava 14.130. Já o Distrito Federal reunia 6.636 imigrantes do país vizinho, mantendo a região em uma faixa intermediária do ranking nacional.

Ranking nacional

No topo da lista aparece Roraima, que lidera com 141.104 venezuelanos registrados. O estado possui, portanto, um imigrante venezuelano para cada grupo de 5,2 habitantes, considerando sua população total de 738.772 pessoas.

Em seguida, Santa Catarina ocupa a segunda posição, com 98.603 venezuelanos em um universo de 8,18 milhões de moradores, o que representa uma média de um imigrante para cada 83 habitantes.

Na sequência surgem Paraná, com 87.273 venezuelanos; Amazonas, com 56.124; Rio Grande do Sul, com 52.273; São Paulo, com 45.631; Mato Grosso, com 18.824; Minas Gerais, com 16.210; Mato Grosso do Sul, com 14.130; e, por fim, Goiás, com 10.703 registros.

Goiânia

Enquanto isso, em Goiânia, a comunidade venezuelana reagiu com alívio à notícia da captura de Nicolás Maduro por militares da Delta Force, força de elite das Forças Armadas dos Estados Unidos. A informação trouxe esperança para quem vive longe do país de origem.

Carlos Coraspe, de 35 anos, que administra há três anos um restaurante de comida típica venezuelana na capital goiana, avalia o episódio como um divisor de águas. Segundo ele, a queda do regime representa o primeiro passo para, futuramente, retornar à Venezuela.

“A verdade é que, para nós, isso está abrindo a porta para a liberdade e para a esperança de conseguir voltar ao país. É um passo grande no caminho da liberdade da nossa pátria”, afirma.

Carlos Coraspe ao lado da irmã, Carlenis no restaurante em Goiânia | Foto: Arquivo Pessoal

Busca por estabilidade

Além disso, Carlos ressalta que a busca por estabilidade motivou sua vinda ao Brasil. Aqui, segundo ele, foi possível trabalhar sem enfrentar o colapso dos serviços básicos. “A gente procurava um país onde pudesse trabalhar de forma certa, sem se preocupar com a inflação, com a falta de gasolina ou em ficar dias sem água e energia, como acontece na Venezuela”, relata.

Já o entregador Tony Gomez, de 34 anos, que mora em Goiás há sete anos, define a ação militar americana de forma técnica. “Não foi uma invasão, foi uma extração”, pontua.

Tony explica que deixou a Venezuela por causa da crise econômica. “Dizem que foi o bloqueio, mas não foi o bloqueio que roubou o petróleo da Venezuela; foram as pessoas lá dentro que roubaram e enfraqueceram a nossa economia e a nossa indústria”, argumenta.

Cautela e esperança

Apesar do alívio inicial, o sentimento entre os imigrantes ainda é de cautela, sobretudo porque a Venezuela decretou estado de emergência após os bombardeios em Caracas. Mesmo assim, a vontade de retornar permanece viva.

“O sonho é sempre voltar para onde você é, para sua família, para as pessoas e para a nossa comida. O Brasil é ótimo para nós, mas sempre vai ficar a saudade do lugar de onde viemos”, resume Carlos Coraspe.

Com familiares espalhados por países como Espanha e Colômbia, Tony Gomez compartilha da mesma expectativa. “Pensamos que, daqui a pouco, quando a coisa melhorar um pouquinho, teremos vontade de voltar a morar no nosso país”, conclui.

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