Por diferentes motivos dezenas de goianos deixaram os ambientes onde conviviam e, simplesmente, sumiram. Os resultados são os mais variados possíveis
O encontro dos restos mortais da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, que estava desaparecida por mais de um mês e meio, depois de sumir, misteriosamente, da garagem do prédio em que morava na cidade turística de Caldas Novas (a Polícia desvendou o caso e prendeu os acusados do homicídio) não foi um fato isolado em Goiás. Nos últimos tempos a polícia goiana tem se deparado com fatos semelhantes, alguns resolvidos e muitos outros, ainda, sem resolução.
É que este tipo de episódio tem interpretações diversificadas e resultados, muitas das vezes, surpreendentes. Os desaparecimentos podem ser voluntários (quando a pessoa decide sair do ambiente em que convive por vontade própria), podem ser criminosos (casos de sequestros, raptos e modalidades semelhantes) e, muitos envoltos em total mistério. A literatura policial está repleta de registros em que pessoas, simplesmente, somem sem deixarem vestígios, ou pistas, que possam esclarecer o que teria acontecido.
Muitas mulheres
Além dos casos que envolvem crianças, jovens e homens, que deixam o convívio familiar, chama a atenção, o sumiço de mulheres adultas, o que gera preocupações e angústias para as respectivas famílias. Muitas deixam esposos, filhos, pais, amigos, trabalho, escolas e outros relacionamentos pessoais para, como em um passe de mágica, ou, mistério, desaparecerem.
A missionária goiana Eliane Araújo de Sousa, de 38 anos, moradora em Minaçu, Goiás, desapareceu depois de participar de um evento religioso em Gurupi, no Estado do Tocantins. Por durante dez dias a polícia e os familiares fizeram uma verdadeira varredura para encontrá-la. A mulher ficou desaparecida por durante dez dias no Tocantins. Ela foi vista pela última vez no dia 17 de novembro na rodoviária de Gurupi. A polícia concluiu que seu desaparecimento foi voluntário, ou seja, sem qualquer conotação criminosa. Eliane vivia com o marido e duas filhas, uma de doze e outra de 14 anos.
Outros casos
Em maio do ano passado, uma mulher de 29 anos, que estava desaparecida, foi localizada em Itumbiara, no Sul de Goiás. Ela deixou o carro em um local deserto e passou a enviar mensagens enigmáticas antes de desaparecer. Segundo a polícia, este sumiço, também, foi voluntário e motivado por dívidas, segundo disse a própria mulher. Após passar por Goiânia, Aparecida e São Paulo, ela pegou carona rumo ao Tocantins. A polícia não identificou crime e pediu o arquivamento do caso.
Mas, há casos enigmáticos, como o da biomédica Érika Luciana de Sousa Machado, de 47 anos, está desaparecida há cerca de 90 dias. Ela foi visa pela última v3ez entre Alexânia e Corumbá de Goiás, onde seu carro foi encontrado com uma roda avariada. A Polícia Civil de Goiás segue à procura de indícios que possam levar ao seu paradeiro. De acordo com a delegada responsável pelo caso, Aline Lopes, foi pedida a quebra dos sigilos telefônico, telemático e bancário de Érika, além da ampliação do raio de buscas. Até o início da semana as medidas tomadas ainda não mostravam vestígios que levassem à sua localização. Somente se sabe que ela não movimentou dinheiro em nenhuma conta bancária investigada.
Estatísticas
Goiás figura entre os cinco estados brasileiros com maior número de casos de pessoas desaparecidas, com o registro, em 2024, de cerca de 3.774 ocorrências, uma média superior a 10 por dia, um aumento de 13,8% em relação a 2023. Apesar do crescimento nas localizações, com 2.682 pessoas encontradas no ano passado, 29% dos casos permanecem sem resolução, o que gera angústia profunda para as famílias. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 destaca Goiás com 54,6% dos desaparecidos sendo homens e 44,7% mulheres, muitos ainda sem paradeiro conhecido. Até agosto de 2024, o estado já contava 2.224 casos, com 700 pessoas, ainda, sumidas e 890 corpos não identificados no Banco de Perfis Genéticos. Esses dados posicionam Goiás como o 5º no ranking nacional, apesar de ter o menor índice per capita no Centro-Oeste (49,1 por 100 mil habitantes).
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.



