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Íris Rezende, legado de democracia, defesa dos pobres, respeito às instituições e fidelidade ao MDB

de Orisvaldo Pires
14 de março de 2026
em Política
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O deputado federal Ulysses Guimarães discursa, tendo ao seu lado à direita: Iris Rezende, Adhemar Santillo e Anapolino de Faria.
No canto esquerdo, o ouvinte é Henrique Santillo.

O deputado federal Ulysses Guimarães discursa, tendo ao seu lado à direita: Iris Rezende, Adhemar Santillo e Anapolino de Faria. No canto esquerdo, o ouvinte é Henrique Santillo.

O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) é majoritariamente classificado como um partido de centro. Nem de direita. Nem de esquerda. Embora historicamente flerte com ambos os espectros. É conhecido como “sigla guarda-chuva”, abrigando políticos de diferentes correntes ideológicas.

É o partido com o maior número de filiados no Brasil: 2.025.480. É o 6º em deputados federais: 43; o 3º em número de senadores: 10; o 4º em deputados estaduais: 95; tem 3 governadores (AL, DF e PA); são 9.854 prefeitos; 8.110 vereadores e 3 ministérios (Planejamento, Cidades e Transportes).

O MDB surgiu em 24 de março de 1966, criado como o partido de oposição permitido durante a ditadura militar, no contexto do bipartidarismo imposto pelo AI-2. Inicialmente uma frente ampla de resistência, a sigla mudou para PMDB em 1980 e retornou ao nome original em 2017.

Henrique Santillo foi um dos fundadores do MDB, em 1966. Naquele ano foi eleito vereador. Íris Rezende tinha 16 anos de idade, quando se elegeu vereador, pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Esteve no período de fundação do MDB em 1966. Permaneceu no partido por 55 anos, até morrer, em 2021. Participou do combate à ditadura e da luta pela redemocratização.

Após a ditadura, com a redemocratização, o MDB foi o primeiro partido a obter registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Portanto, é o mais antigo partido registrado nesse novo período. A partir da era MDB se ramificaram vários partidos de direita moderada, progressistas ou do campo democrático-progressista, entre eles o PT, PSDB, PDT.

Os partidos do espectro chamado de direita são descendentes capilares da Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido criado em 1965 para dar sustentação à ditadura militar. No período pós-ditadura, o primeiro partido de direita surgiu em 1990, o Partido da Juventude, que virou PRN (pelo qual se elegeu Fernando Collor), em 2000 virou PTC – Partido Trabalhista Cristão e 2021 virou Agir.

Depois vieram Mobiliza, Cidadania, Avante, PP, PRTB, DC, PODEMOS, Republicanos, etc. O PL é o antigo PR (Partido da República), que fundiu com o PRONA. O PL foi vice de dois governos do PT (os dois primeiros de Lula). Foi base de Dilma e de Temer. Mudou de configuração com a filiação de Bolsonaro, em 2021.

ÍRIS E CAIADO

Além do PTB, Íris Rezende foi do PSD (1962). Foi ministro do presidente José Sarney (MDB), Fernando Collor (PRN), e Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Duas vezes governador e foi senador (1995). Em 2016, Íris Rezende (MDB) foi eleito prefeito de Goiânia (o 4º mandato).

Ronaldo Caiado foi eleito governador em 2018, pelo Democratas (DEM). Naquele ano os dois se encontraram e estabeleceram parceria institucional de governo. Naquela época, ambos tinham o mesmo adversário: Marconi Perillo. Diz o antigo provérbio chinês que “o inimigo do meu inimigo, é meu amigo”.

Numa entrevista ao jornal O Popular, em novembro de 2021, Ana Paula Rezende disse que Íris “tinha um respeito e uma amizade verdadeira pelo governador”, “meu pai tinha vontade de acompanhar o governador nesses próximos anos” e “meu pai sentia um alívio em saber que o Estado estava nas mãos de um homem correto, honesto”. E disse acreditar que Íris apoiaria Daniel como vice.

Naquela época, em 2018, o MDB não elegia o Presidente da República havia quase 30 anos. A última vez que elegeu o governador de Goiás por sufrágio universal foi em 1995. Desde 1983 o MDB foi o partido que mais tempo governou Goiás: 16 anos. Uma curiosidade: a última vez que o MDB elegeu o prefeito de Anápolis foi em 1996.

2021

Neste ano, em 13 de janeiro, morre Maguito Vilela, prefeito eleito de Goiânia, vítima de complicações da Covid-19. Ele chegou a ser empossado virtualmente, no leito do hospital, em 1º de janeiro. Maguito, pai de Daniel Vilela, não tinha o mesmo entusiasmo de Íris em se aproximar de Caiado. Na eleição de 2018, Daniel, candidato ao governo, protagonizou disputa acalorada, de críticas pesadas a Caiado.

Depois disso, com relacionamento amigável com Caiado, Íris deixou meio que alinhavada a costura de aproximação entre o governador e Daniel. A estratégia rendeu, tanto que Daniel se elegeu vice de Caiado na eleição seguinte, em 2022. Um ano antes, em 19 de novembro de 2021, morre Íris Rezende.

Neste período haviam desacelerado emedebistas como Luiz Bittencourt, José Essado, Romilton Morais, Ernesto Roller, Naphtali Alves, Helenês Cândido, Jossivani de Oliveira, Adhemar e Onaide Santillo, entre outros que deixaram o partido, como José Nelto e Gustavo Mendanha (que foi emedebista por 14 anos).

Ao mesmo tempo, nos últimos anos, o MDB experimenta importante processo de renovação em Goiás, com surgimento de nomes como o do próprio Daniel Vilela, Marussa Boldrin, e de Márcio Corrêa e Amilton Filho, em Anápolis. 

ANA PAULA

De concreto até o momento, o principal fator que marca a decisão de Ana Paula Rezende, filha de Íris, em trocar o MDB pelo PL, como pré-candidata a vice-governadora na chapa de Wilder Morais, é o impacto da surpresa. Mesmo cientes que ela estava descontente com o partido, Vilela e Caiado não esperavam uma ruptura tão radical como essa.

Ana Paula, no ato em que foi apresentada pelo senador Wilder Morais e pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que deixar o MDB foi uma decisão difícil, mas necessária diante do cenário político atual. Ela declarou que o partido “fechou as portas para o legado” de seu pai. Em recente evento do PL em Anápolis, Ana Paula, ao comentar sobre ataques que estaria recebendo após a mudança de partido, disse: “meu coro é grosso […] não quero estar ao lado de pessoas que querem me diminuir simplesmente por eu ser mulher”.

LEGADO

Sobre esse legado de Íris Rezende, termo bem explorado nos pronunciamentos políticos e nas análises nas últimas semanas, é importante reconhecer que Ana Paula conviveu com o pai e com a mãe, dona Íris Araújo, e acompanhou toda a vida pública de ambos. Uma condição que indiscutivelmente resulta em conhecimento agregado.

Numa análise fria, é estratégico entender que Ana Paula por osmose adquiriu princípios, entendimentos, compreensões, fruto de sua condição de laços e convivência familiar. Entretanto, metáforas à parte, ao considerar que ela não é Íris Rezende, tem pela frente desafios importantes de convencimento a serem superados.

Ana Paula nunca disputou eleição. Seu potencial eleitoral efetivo ainda é desconhecido. Esta será a primeira vez que será testada nas urnas. Na política eleitoral ela deixa uma condição secundária para assumir posição de protagonismo. A expectativa é: consegue transferir o legado ou o carisma de seu pai para o projeto político ao qual se agrega a partir de agora? Consegue adaptar a posição política que marcou a trajetória de Íris a um espectro de uma direita mais conservadora?

ELEITOR

O que o eleitor de Íris via nele? Por certo o perfil de um político republicano, de atitudes simples. Íris sentia a dor dos que sofriam, dos que não tinham casa para morar, dos que levantavam de madrugada e dormiam tarde da noite, dos mais simples, como ele. Era pragmático, popular, tinha conexão com o povo, líder simples e atencioso, defensor da democracia, respeitador das instituições e dos bons costumes.

Íris Rezende foi resistente, foi cassado pela ditadura, foi fiel ao MDB. Foi conhecido como ‘o goiano dos goianos’. Passou longe da truculência, jamais praticou a intolerância e tinha capacidade de diálogo mesmo com aqueles que, politicamente, pensavam diferente.

No contexto que se desenha na conjuntura atual da política, é justamente a partir de agora é que o eleitor goiano no geral, e os emedebistas em especial, vão fazer avaliações, perceber o debate político e, inevitavelmente, vão comparar.

É fato que a articulação do PL para filiar Ana Paula foi uma grande tacada. Além de agregar um nome leve, sem a pecha da política tradicional, com credibilidade junto à sociedade e aprendiz do mestre Íris Rezende, os liberais ainda tiraram uma peça importante do principal adversário na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. Se a estratégia, ao final do jogo, vai resultar em xeque-mate, só o tempo vai dizer.

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