Talento de 14 anos concilia escola, treinos intensos e falta de patrocínio em busca do alto rendimento
Aos 14 anos, a judoca anapolina Maria Cecília Pires de Sousa vive aquele momento em que o futuro parece caber inteiro dentro de um judogi com uma faixa roxa. Entre a rotina puxada de treinos, a escola e viagens para competir, ela mira o pódio nacional no sub-18 e, mais adiante, um tatame bem específico: o das Olimpíadas.
A adolescente, aluna do 9º ano no CEPMG Gabriel Issa, acaba de se classificar na seletiva para o Campeonato Brasileiro Regional, disputada em 28 de fevereiro, em Anápolis. Agora, prepara-se para encarar, entre 26 e 29 de março, em Campo Verde, no Mato Grosso, mais uma etapa da escalada rumo ao alto rendimento no judô.
“Eu amo esporte, ele faz parte do que eu quero ser”, diz a jovem atleta. “Este ano é decisivo no sub-18: preciso de mais treinos, suplementação e resultados para poder ingressar na CBJ e competir em nível nacional, buscando bons resultados também internacionalmente”, explica a judoca, com a mesma firmeza com que entra no tatame.
Filha da farmacêutica Anna Marília Moreira, a adolescente começou no judô em 2019. Desde então, manteve-se nas primeiras colocações do ranking estadual e coleciona conquistas importantes, como o vice-campeonato Brasileiro Regional em 2023 e 2024, além de um 7º lugar no Campeonato Brasileiro Final, em 2025.
Rotina de campeão
Se o sonho é olímpico, o relógio não perdoa. De segunda a sexta, a rotina da esportista inclui treinos das 19h às 20h45. Aos sábados, as sessões se estendem das 9h ao meio-dia e voltam das 14h às 16h30, no Centro de Treinamento Pequenuchos, em Anápolis. “Ela tem se dedicado cada vez mais, porque sabe que este é um ano-chave”, conta a mãe, orgulhosa. “O judô abriu portas, amadureceu minha filha e mostrou que o talento dela pode ir muito longe”, afirma a farmacêutica, que acompanha de perto cada competição.
Para além da disciplina, a adolescente se inspira em quem já trilhou o caminho até o alto do pódio. “Me espelho na Sarah Menezes, na Clarice Ribeiro e na Nicolle Marques”, cita a jovem, que fala com naturalidade sobre a meta que parece gigante para alguém de 14 anos. “Onde eu quero chegar? Nas Olimpíadas”, responde, sem titubear.
Luta por patrocínio
Se dentro do tatame a meta é derrubar adversárias, fora dele o embate é contra os custos. Viagens frequentes para competições nacionais tornam o orçamento da família apertado. “Durante o ano, ela participa de muitos campeonatos pelo Brasil, e essas viagens ficam bem onerosas para nós”, relata Anna Marilia. “A gente faz o possível, corta daqui e dali, mas chega uma hora em que fica muito pesado.”
Hoje, o único alívio é a Bolsa Atleta Municipal, que, para 2025, teve apenas três parcelas pagas inicialmente e a quarta quitada apenas nesta semana. “Infelizmente, ela não conta com nenhum tipo de patrocínio privado”, lamenta a mãe. “A parte dos patrocínios é de suma importância para termos a oportunidade de competir fora do estado”, reforça a judoca, que sabe: para seguir sonhando alto, vai precisar de mais do que ippon. Vai precisar de quem aposte que, de Anápolis para o mundo, um judogi com uma faixa roxa pode virar história.
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