Depois de muito tempo tive o privilégio de ter uma longa conversa com um amigo de mocidade, que foi acometido de uma doença que o debilitou fortemente. Ele teve que se afastar das atividades profissionais, perdeu o tônus muscular, desenvolveu fobia social, passou por diversos procedimentos e tratamentos, o diagnóstico nunca foi preciso, e com um pouco mais de sessenta anos, a recuperação tem sido lenta e gradual. Felizmente seu cognitivo melhorou consideravelmente e na conversa com ele na semana passada, ele estava lendo um livro de 700 páginas sobre a biografia de Barack Obama e estava apreciando profundamente a leitura.
O seu problema maior atualmente tem a ver com a fraqueza física. Ele não consegue caminhar muito, não consegue dirigir o carro uma vez que suas reações ainda estão prejudicadas, sai pouco de casa, e enfrenta algumas dificuldades com aglomerações de pessoas. Mas está lúcido, conseguindo fazer boas reflexões e conversando normalmente.
Não sou médico, ainda que tenha formação em psicologia, e com a amizade construída ao longo dos anos, lhe fiz uma sugestão que me parecia razoável. Eu o encorajei a caminhar, a sair mais de casa. Atualmente ele não consegue fazer uma caminhada que vá além dos 100 metros, e associado à fraqueza, existe a falta de disposição emocional, insegurança, e até mesmo uma preguiça inconsciente. Nesta hora me lembrei que ele precisava vencer a lei da inércia, e eu sei como isto é complicado para todos nós.
A Lei da Inércia (Primeira Lei de Newton) afirma que “um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, e um corpo em movimento retilíneo uniforme tende a continuar nesse movimento, a menos que uma força externa atue sobre ele, alterando seu estado.” Isto é uma espécie de “teimosia” dos corpos em manter seu estado de movimento ou repouso e sua medida é a massa do corpo; quanto maior a massa, maior a inércia, exigindo mais força para mudar seu movimento.
Romper a lei da inércia é difícil e certamente os primeiros movimentos são os mais complicados. Por isto, quando empurramos um carro que está parado, o primeiro movimento é o mais complicado: precisamos colocar muita energia e força para que o carro se mova. Isto se aplica perfeitamente a qualquer desafio, seja ele espiritual, moral, psicológico ou físico.
Como é difícil superar a dependência psicológica de um vício, ou romper com um abuso, ou mudar paradigmas e hábitos (ou vícios) arraigados e comportamentos danosos e codependência. Eventualmente percebemos que precisamos avançar, dar o primeiro passo, sabemos que a lei da inércia precisa ser quebrada, mas falta-nos força e disposição para avançar na direção da cura. Espiritualmente acontece a mesma coisa, percebemos que precisamos caminhar em direção as coisas de Deus, mas falta-nos o primeiro movimento, e nos perdemos na nossa letargia e acomodação.
Sugeri ao meu amigo que rompesse a lei da inércia que o impede de se movimentar. Ele precisa fortalecer sua musculatura. Eu o encorajei a sair de casa, fazer uma caminhada diária de 100 metros, na semana seguinte 150 metros, e gradativamente aumentar a distância. Seu corpo é capaz de fazer isto, mas ele está preso e paralisado pela lei da inércia. Não sei se ele vai acatar minha sugestão. Sei que é um desafio árduo, mas, como diz a lei da inércia: “Todo corpo permanece em seu estado de repouso ou em movimento retilíneo e uniforme caso as forças que atuem sobre ele se anulem.”
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