As mulheres brasileiras carregam nas costas um peso desproporcional de ansiedades que moldam suas vidas diárias. Em um país marcado por desigualdades gritantes, elas enfrentam medos profundos relacionados à segurança, saúde, família e mercado de trabalho.
Por Vander Lúcio Barbosa
Dados recentes, como os da pesquisa Paraná Pesquisas de 2026, revelam que 23,7% das mulheres apontam a saúde pública como sua maior preocupação, contra 25,1% dos homens focados em segurança – mas para elas, esses temores se entrelaçam de forma única e opressiva.
No mercado de trabalho, a barreira é cristalina: a desigualdade salarial persiste, com mulheres ganhando em média 20% menos que homens pelo mesmo cargo, segundo o IBGE. Elas lidam com o “teto de vidro”, maternidade penalizada e jornadas duplas que esgotam.
O medo de desemprego é constante, agravado pela inflação alta (15,9% das preocupações gerais), que corrói o poder de compra familiar. Muitas hesitam em buscar promoções, temendo o equilíbrio impossível entre carreira e casa.
A família amplifica essas ansiedades. Mulheres são o pilar do lar, gerenciando filhos, idosos e tarefas domésticas invisíveis – um fardo que gera burnout e depressão.
A pesquisa Ipsos destaca violência doméstica como raiz de 41% dos medos femininos, com o Brasil registrando uma feminicídio a cada seis horas. Em Goiás, segundo a propaganda do Governo do Estado a unidade federativa mais segura do país, a cada 12 minutos uma medida protetiva é concedida a mulheres. Em 2025, foram registradas 47.432 ordens judiciais, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.
Saúde é outra ferida aberta: acesso precário ao SUS, filas eternas e falta de prevenção para câncer de mama – doença que mata milhares anualmente. Ansiedade e depressão explodem, com 30% das mulheres relatando sintomas. Barreiras culturais, como estigma ao divórcio ou terapia, somam-se à violência psicológica.
Outros medos emergem: corrupção (33% de preocupação), educação precária para filhos e mudanças climáticas afetando roças no interior. Políticas paliativas, como cotas, não bastam; urge reforma estrutural.
Mulheres brasileiras não são vítimas passivas – elas resistem. Mas ignorar suas dores é condenar o país ao subdesenvolvimento. É hora de ouvir: segurança real, igualdade salarial, apoio familiar e saúde acessível. Só assim, o Brasil avança de mãos dadas.
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