Você já deve ter ouvido ou lido algumas dessas frases: “rouba mas faz” e “os fins justificam os meios”. A primeira foi atribuída para se referir ao médico e empresário Adhemar de Barros, que foi prefeito de São Paulo (1957-1961) e duas vezes governador de São Paulo (1947-1951 e 1963-1966). A segunda é de Maquiavel, de que o governante deve usar qualquer método, mesmo cruéis, para manter o poder e o Estado.
Quantas vezes a gente ironizou a postura de políticos que registram promessas ou planos de governo em cartório, sob argumento de que sabemos que jamais vão cumprir. Tem gente que ajuda políticos espalharem boatos e mentiras, conscientemente, apenas para aplacar a sanha de ver a derrota de um político adversário a qualquer custo.
Há um comportamento de conformidade de boa parte da população, quanto ao entendimento de que mentir é um ato “aceitável’ no ambiente político em geral. Na teoria as pessoas até demonstram uma certa aversão a atitudes desta natureza, mas, na prática, poucos se preocupam.
Ignorar a prática daquele que mente, na hora de votar, é comum nos dias atuais. Basta que, em meio às mentiras, sejam ditas algumas palavras (ou gatilhos) que satisfaçam alguma ideia que defendo, ou princípios com os quais comungo.
“Não se trata de afirmar que a mentira e a manipulação constituam a própria essência do discurso político, mas sim de reconhecer a impossibilidade de extirpá-las desse domínio, extingui-lo. O que é preciso impedir é que a mentira e a manipulação possam converter-se nos elementos centrais do discurso político, de sorte que a luz do espaço público deixe de revelar novas perspectivas do mundo e passe a escondê-las e destrui-las” (DUARTE, 2000, p.185)
Santo Agostinho e Kant são casos clássicos dos pensadores que consideram o ato de mentir uma coisa inadmissível em toda e qualquer circunstância. Se contrapõem a Platão e Benjamin Constant, que consideram mentir um ato desonroso, mas admitem haver exceções em que a mentira é eticamente justificável.
Fazer vistas grossas à quebra de palavra na atividade política é, certamente, um dos fatores que colaboram para ampliar seu descrédito. Honrar a palavra neste ambiente é pilar fundamental para sustentar a democracia, fortalecer políticas realmente eficazes e para a manutenção da confiança pública.
Nada consta na legislação brasileira que obrigue o político a cumprir as promessas de campanha, mas, descumpri-las, gera descrédito, ceticismo e afasta o político do povo. Assim todos nós, cidadãos e eleitores, precisamos acordar para a realidade de que somente construiremos uma sociedade justa, se fecharmos as portas à incoerência, às contradições e ao oportunismo que equivocadamente naturalizamos na prática política ao longo dos tempos.
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