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O Curupira pós-COP30: crucificação, ressurreição e acerto de contas

de Moacir Lázaro de Melo
9 de dezembro de 2025
em Artigo
Reading Time: 4 mins read
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Curupira, símbolo da COP 30. Imagem: Reprodução

Curupira, símbolo da COP 30. Imagem: Reprodução

Por Moacir de Melo

Quando escrevemos, em julho de 2025, que sonhávamos ver 50 mil delegados da COP30 transformados em curupiras internacionais, talvez não tenhamos percebido a ousadia do desejo: pedir que o mundo saísse do discurso e entrasse na ação. Pedir que governos que mal protegem suas próprias florestas apoiassem comunidades amazônicas, financiassem vigilância ambiental e encarassem, de frente, o combate ao crime climático.

Era pedir muito?

Sim.

Mas era o mínimo.

E avisamos: sem decisões concretas, o mundo estaria queimando — mais uma vez — nosso personagem de 500 anos, guardião teimoso da vida. Queimando em sentido literal e simbólico.

Pois bem.

A COP30 terminou.

E o que fizeram com o CURUPIRA?

Crucificaram-no.

Sem dó, sem remorso e com boa maquiagem retórica.

Transformaram o guardião da floresta em mascote turístico de conferência: tiraram foto, citaram em discursos, penduraram em banners — e viraram as costas para a floresta que continuou ardendo fora dos salões refrigerados.

O mito virou mártir não porque falhou, mas porque expôs o fracasso coletivo.

O Brasil, país sede, até lutou para construir o “mapa do caminho” do financiamento climático. Mas financiamento não veio.

Vieram discursos. Vieram promessas. Vieram poses.

E, mais uma vez, o documento final foi incapaz de esconder o vexame: dez anos após Paris, a temperatura sobe, e o cumprimento das metas cai.

Mas aqui está o detalhe que os delegados esqueceram:

ninguém endireita os pés do CURUPIRA.

Ninguém.

Agora, seus pés virados servem para denunciar — com precisão brutal — cada falha e cada covardia:

– apontam para fora, cobrando a dívida histórica dos países ricos, que adoram falar de clima, mas detestam pagar por ele;

– apontam para cima, revelando o abismo indecente entre promessas bilionárias e ações nulas;

– apontam para dentro, lembrando ao Brasil que a Amazônia não se protege com discursos, e sim com vergonha na cara, fiscalização, inteligência e coragem política.

A ONU, tardiamente, reconheceu após a COP30 aquilo que qualquer criança ribeirinha já sabe: não existe solução climática sem florestas tropicais. E, sem querer, entregou ao CURUPIRA o posto de símbolo máximo dessa verdade inconveniente.

Porque a natureza, diferentemente dos negociadores internacionais, não negocia, não perdoa e não trabalha com “prazo prorrogado”.

Se a COP teve algum avanço modesto, seu maior legado foi outro: mostrar ao Brasil que nossa floresta é protagonista — e que nosso folclore compreende de sustentabilidade muito melhor do que relatórios técnicos escritos por quem nunca pisou na Amazônia.

O CURUPIRA não morre.

Sobreviveu às queimadas, aos retrocessos, aos acordos vazios.

Sobrevive porque sua função é clara: ele denuncia quem finge cuidar da floresta e expõe quem lucra com sua destruição.

Seu recado pós-COP30 é direto, impaciente e inegociável:

o maior obstáculo da ação climática global é a covardia dos países ricos em financiar o que eles mesmos destruíram.

O guardião da floresta agora caminha irritado, vigilante e impaciente.

E adverte: ou o mundo escuta logo, ou seus pés — sempre virados — apontarão para um caminho sem volta. E este caminho já começou.

E viva o CURUPIRA: eterno, indomável, incômodo — e agora mais necessário do que nunca.

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