A campanha “1.8 Bilhão de Jovens pela Mudança”, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), está buscando ouvir os jovens em todo o mundo para compreender suas demandas e desafios
Um depoimento impactante foi dado por uma jovem que revelou como a educação sexual nas escolas a ajudou a entender o abuso sexual que sofria em casa e a denunciar seu padrasto.
Outro jovem mencionou as dificuldades enfrentadas para chegar à escola devido à falta de infraestrutura de transporte.
Esses relatos fazem parte das demandas coletadas pela campanha da OMS, organizada pela Partnership for Maternal, Newborn & Child Health (PMNCH), a maior aliança global em defesa da saúde de mulheres, crianças e adolescentes.
O número de 1,8 bilhão faz referência ao contingente de jovens entre 10 e 24 anos vivendo no planeta, de acordo com o Fundo de População das Nações Unidas.
Bethânia Lima, relações públicas e líder mobilizadora da campanha no Brasil, destaca que a negligência com o bem-estar da juventude é preocupante, visto os altos índices de depressão, desnutrição e evasão escolar que afetam sua saúde física e mental.
Lima ressalta a importância de ouvir os próprios jovens para identificar suas necessidades que devem ser atendidas pelo poder público.
Dados
A pesquisa, realizada por meio de um questionário online, está aberta para respostas dos brasileiros até 31 de julho. Os organizadores esperam receber as opiniões de pelo menos 50 mil pessoas no país e 1 milhão em todo o mundo.
O questionário garante a proteção dos dados pessoais dos participantes, que não precisam se identificar completamente, fornecendo apenas informações básicas, como idade, região e identidade de gênero.
Os desafios enfrentados pela juventude são evidentes nos números apresentados. O Atlas da Violência 2021, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que mais da metade das mortes violentas no Brasil ocorrem entre os jovens.
Dos mais de 45 mil homicídios registrados em 2019, 51% vitimaram jovens entre 15 e 29 anos. A violência sexual também é uma preocupação, afetando um em cada sete adolescentes, incluindo assédio e estupro.
Brasileiros
A campanha global recebeu depoimentos de jovens brasileiros que pedem segurança, inclusão, menos preconceito e violência, além do direito de viver sem discriminação.
Além disso, uma jovem relatou como as operações nas favelas impactaram sua vida, impedindo-a de participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O mercado de trabalho é outro desafio enfrentado pela juventude, com 5 milhões de jovens entre 14 e 24 anos sem emprego, de acordo com o estudo Empregabilidade Jovem Brasil, realizado pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego.
Bethânia Lima enfatiza a importância de abordar os desafios e demandas específicas da juventude brasileira, ressaltando que é urgente e necessário que os jovens participem da campanha.
A coleta de dados será divulgada em um painel virtual para o mundo todo nos dias 11 e 12 de outubro, buscando promover compromissos políticos e financeiros para melhorar a saúde e o bem-estar dos jovens.
Rafael Moraes, um jovem formado em administração de empresas, destaca a importância do investimento nos jovens para um futuro melhor, incluindo a abertura de oportunidades no mercado de trabalho.
Políticas Públicas
No Brasil, a Secretaria Nacional da Juventude atua na elaboração e implementação de políticas para a juventude, com o objetivo de promover, defender, proteger e enfrentar violações dos direitos dos jovens.
Ainda há tempo para que os jovens participem da campanha e compartilhem suas opiniões e ideias. As primeiras respostas já mostram que a juventude é uma geração cheia de esperança, como evidenciado pelo depoimento da jovem que, mesmo após perder o Enem, continua acreditando no poder transformador da educação. (Vander Lúcio Barbosa, com informações da Agência Brasil)