Depois da grande discussão entre os enredos, símbolos, disputa partidária e deboche contra a religião na festa do carnaval, vale a pena refletir sobre tais eventos e aprender a julgar, analisar e avaliar tais movimentos e seus direcionamentos. Um artigo fenomenal de Paula Campo Zandoria, foi preciso na análise e julgamento, por isto, faço questão de usar a minha coluna para replicá-lo:
“Chamaram de teoria da conspiração até o desfile colocar no palco exatamente o que eu venho alertando. Antes que alguém transforme isso em direito ou esquerda, não, não é. Não é campanha antecipada, não é sobre abuso de poder, é algo muito mais profundo. Isso é sobre entender como sociedade se formam. Grandes transformações não começam por leis, começam por símbolos, começam operando o que é sagrado. A Revolução Francesa, por exemplo, não começou com decreto, começou mudando símbolos. Na União Soviética, o cinema se transformou numa ferramenta de formação ideológica. Na Alemanha nazista, espetáculos públicos criavam identidade coletiva antes da consolidação total do regime. Nos Estados Unidos, durante a Guerra Fria, Hollywood foi reconhecida como instrumento cultural na disputa de valor. Ideologias diferentes, exatamente os mesmos princípios.
Cultura molda a mentalidade e mentalidade molda a geração. Mesmo fora de regimes autoritários, o mecanismo se repete. Os movimentos culturais dos anos 60 não começaram no Congresso, começaram na música, na moda, na linguagem, na forma como família: adolescência, autoridade e sexualidade passaram a ser representados.
Primeiro muda a representação, depois muda a percepção, depois muda o comportamento e só então muda a lei. Quando um grande ritual cultural coloca símbolos religiosos em tom de ironia, apresenta a fé como algo ultrapassado, retrata estrutura familiar como opressão, celebra ruptura como libertação, isso não é neutro, isso é mensagem simbólica. Mensagem repetida, reorganiza o imaginário.
O cérebro aprende por repetição emocional, o diferente vira referência e o que recebe depois perde a reverência. Não é uma imagem isolada que transforma a geração, é normalização contínua, é assim que paradigmas se deslocam.
E aqui é que está o que realmente preocupa, não é eleição, não é partido, é corrupção do imaginário. Lei você revoga, governo você troca, mas quando o sagrado vira caricatura na mente de uma geração inteira, recuperar a reverência e a referência é um processo lento, difícil e incerto. Isso é muito mais profundo do que disputa política, é direção civilizatória. Se rituais públicos começarem a questionar isso, o mínimo que se espera é uma reflexão. Não é sobre ser conservadora ou progressista, é sobre ter olhos para ver, inteligência para entender e honestidade para admitir que cultura educa.”
Esta é a grande questão que se impõe. Educadores, teólogos e pais deveriam dar mais atenção a este tema, ainda que ele seja um tanto filosófico e complexo.
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