Uma das marcas da geração Z é a impaciência. Recentemente, em uma reunião, uma pessoa muito estressada foi questionada sobre o assunto e respondeu: “Eu fico ainda mais estressada quando alguém me pergunta se eu estou estressada!”
A verdade é que paciência se tornou uma virtude esquecida. Queremos “fast food” (comida rápida), que é cada vez mais fast e cada vez menos food. Air fryers e micro-ondas caíram no gosto da sociedade moderna por causa da rapidez. Tudo tem que ser rápido!
Não queremos vídeo de 3 minutos. É muito tempo. Preferimos reels e tik-tok porque são rápidos. Também não queremos cozinhar porque vai demandar o longo processo de esperar a comida ficar pronta. Não queremos gastar tempo.
Nesse contexto, amizades e relacionamentos também são superficiais. Tudo é “fluído, líquido”, parafraseando Zigmunt Bauman. Não queremos profundidade, mas eficiência e rapidez. Sem que tenhamos consciência, isso atinge valores essenciais.
Queremos plantar eucaliptos, mas não temos paciência para plantar um pé de jatobá. Compramos árvores centenárias, como oliveiras, baobás e palmeiras já desenvolvidos porque não dá para esperar o ciclo natural delas. É demorado demais para as exigências e fluidez do tempo em que vivemos.
Criar filhos é dificil, porque, entre outras coisas, é um processo é longo, exige tempo, diálogo, abraço, profundidade… E tudo isso demora.
Recentemente, assisti a um documentário sobre as longas viagens que os moradores fazem em barcas pelo Rio Amazonas – que conecta cidades como Manaus, Belém, Santarém e Tabatinga. As viagens promovem imersão na cultura ribeirinha e observação da floresta. A duração varia de dias a semanas, dependendo da rota e do tipo de embarcação.
Fiquei pensando nesse tipo de viagem, que segue lentamente o curso dos rios. São horas e dias viajando. Eu me perguntei se conseguiria dar uma pausa na minha vida pra ficar um tempo tão longo apenas viajando, dormindo numa rede, vendo a hora passar.
Uma música dos Titãs reflete um pouco sobre isto: “Você me chama. Eu quero ir pro cinema. Você reclama, meu coração não contenta. Você me ama, mas de repente, a madrugada mudou. E certamente, aquele trem já passou. Só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder!”
Certamente, nossa geração tem sofrido grave crise de ansiedade por causa da impaciência. Falta-nos pausa, reflexão, oração, silêncio. Nossa alma tem barulhos, sons e imagens em excesso.
Não conseguimos assimilar as informações recebidas, mas queremos mais, com urgência e queremos agora. Não dá para esperar… Entretanto, as coisas mais lindas da vida não se submetem à agenda da urgência e sim do prioritário.
Precisamos desacelerar, “observar as aves dos céus e os lírios do campo.”
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