Por Moacir Melo
Henry Ford, empreendedor estadunidense, fundador da Ford Motor Company, foi o primeiro empresário a aplicar a montagem em série de forma a produzir automóveis em menos tempo e a um menor custo. Só o fez porque foi um pensador nato, fato que lhe possibilitou revolucionar os transportes e a indústria dos Estados Unidos. Ford reconhecia: “pensar é o trabalho mais difícil que existe e esta é provavelmente a razão por que tão poucos se dedicam a isto”. Porem, o ser humano é um animal e que o que nos diferencia dos demais da nossa espécie é a capacidade de raciocinar e de pensar.
Augtusto Cury, no livro “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século”, título que, por definição, já caracteriza a ansiedade, a depressão e o desinteresse pelas coisas por toda uma sociedade, apesar de estarmos na era do conhecimento, da informação em massa, das redes sociais aceleradas, tudo isto não têm produzido pensadores mas apenas repetidores de informações que denominamos como “influenciadores”, ou seja, como ninguém pensa os influenciadores reinam soberanos e fazem a festa. Triste realidade.
Do lado de cá, não podemos esquecer nosso cantor/compositor “maluco beleza” Raul Seixas (1945-1989), que já dizia que não queria ter aquela velha opinião formada sobre tudo e preferia ser uma “Metamorfose Ambulante” e isto o levava a pensar muito para desenvolver novas idéias. Apesar das loucuras, Raul foi sucesso durante sua estada no nosso planeta. Assim devemos ser. Criticar, expressar, fazer perguntas, ler e mover são atitudes constantes de quem quer acrescentar mais conhecimentos e aumentar sua opinião sobre determinado assunto. O contraditório, a novidade e/ou a inovação, nascem destes conhecimentos.
Sobre a questão, Sócrates, o Grego, (479-429 AC) era duro e contundente porquanto afirmava que uma vida sem reflexão não merecia ser vivida. Na mesma ótica, “a essência do homem é pensar” garantia René Descartes, físico e matemático Francês (1596-1650). Por isto dizia: sou uma coisa que pensa, isto é, que duvida, que afirma, que ignora, que ama, que odeia, que quer e não, que também imagina o que sente. Daí a máxima: Penso. Logo existo! Pensar é, pois, o caminho do sucesso em qualquer ação que propomos realizar.
Lamentavelmente, pensamos pouco ou quase nada. Culpa também e, principalmente, de nossas escolas tradicionais que não nos ensinavam a pensar, principalmente as gerações passadas. Por isso mesmo, não sabemos, não gostamos, temos preguiça, não temos vocação para pensar. Ensinaram-nos, isto sim, e ainda ensinam, decorar fórmulas que não nos levaram e ainda levam a nada, somente para passarmos ou serem reprovarmos nos vestibulares ou ENEMs da vida. Poucas escolas, ainda nos dias de hoje, ensinam como sobreviver em um mundo cada vez mais caótico, competitivo e, cheio de inovações em que mudanças fortes acontecem a todo momento. Há de contemplar também, como coadjuvante, nosso ensino médio defasado não profissionalizante até os dias de hoje.
Em tempos de incertezas totais, ocasionadas por mudanças radicais certas nos modelos econômicos e sociais mundo afora, principalmente pela inteligência artificial em evolução, fato que nos impossibilita de prevermos o futuro que nos aguarda, é de fundamental importância aprendermos a pensar. Afinal, quem estará pensando em como sobreviver num mundo em que a inteligência artificial que está chegando, rápida e silenciosamente, será igual ou superior à inteligência humana? Qual será a profissão com emprego garantido nesta nova ordem chegante? Como seremos daqui a dez, vinte anos? Vamos pensar? Convidado!