Estudo da UEG usa nanotecnologia verde e bioinsumos para combater bactérias resistentes e proteger o Cerrado brasileiro
Um objeto simples do dia a dia motivou uma pesquisa inovadora da Universidade Estadual de Goiás (UEG): a escova de dentes. Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas a Produtos para a Saúde (PPG Caps) identificaram microrganismos resistentes, como a bactéria Staphylococcus aureus, em escovas de uso cotidiano. O achado acendeu um alerta sobre riscos invisíveis à saúde e reforçou a necessidade de novas estratégias para enfrentar a resistência bacteriana, considerada um dos maiores desafios da saúde pública atual.
A resposta veio da integração entre química, microbiologia e biotecnologia. O grupo atua em duas frentes: o desenvolvimento de alternativas aos antibióticos tradicionais por meio da nanotecnologia verde e a criação de soluções sustentáveis para a agricultura, reduzindo impactos ambientais do uso excessivo de defensivos químicos.
Nanotecnologia verde
Na área da nanotecnologia, o trabalho é coordenado pela professora doutora Luciana Rebelo Guilherme, especialista em Química e Nanotecnologia. A equipe produz nanopartículas de prata, conhecidas por seu forte efeito antimicrobiano. O diferencial está na chamada síntese verde, que substitui reagentes tóxicos por substâncias naturais.
Esses insumos vêm do Cerrado. A professora doutora Giuliana Muniz Villa Verde estuda extratos de plantas nativas, como a Arnica do Cerrado, e produtos apícolas, como a própolis de abelhas sem ferrão, utilizados como reagentes naturais. A técnica potencializa os efeitos com menor extração vegetal, contribuindo para aliviar a pressão sobre espécies ameaçadas.
Sustentabilidade aplicada
A pesquisa microbiológica conta com a professora doutora Valdirene Neves Monteiro, que investiga fungos do gênero Trichoderma na produção de metabólitos naturais capazes de auxiliar na formação das nanopartículas. Já o professor doutor Plínio Lázaro testa a eficácia contra bactérias multirresistentes.
No campo agrícola, sob coordenação da professora doutora Alliny Amaral, são desenvolvidos bioinsumos com bactérias do Cerrado que fixam nitrogênio no solo, usando resíduos da agroindústria. A iniciativa reduz poluentes, protege o solo, a água e as abelhas nativas, mostrando como a ciência pode transformar um problema cotidiano em inovação, saúde e conservação ambiental.
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