Pesquisas mostram que população não quer se arriscar colocando um novato na cadeira
A decisão de última hora do deputado estadual Antônio Gomide (PT) em disputar a eleição em Anápolis praticamente colocou por terra a possibilidade de surgimento de uma terceira via. Com o petista no páreo, o embate mais esperado estava consolidado: Antônio Gomide x Roberto Naves (PP).
Essa polarização foi observada ao longo de toda a campanha e confirmada até agora nas pesquisas: o pelotão dos outros sete candidatos pouco ameaçou os dois mais bem colocados, que se revezaram na primeira colocação.
A campanha em Anápolis também confirma a tendência do eleitorado neste ano em procurar nomes experimentados para a vida pública. Gomide cumpre o seu segundo ano como deputado estadual, já foi vereador, duas vezes prefeito e tem um histórico conhecido. A avaliação que o eleitor faz quando se fala no petista é em cima de questões concretas, a sua passagem pela prefeitura.
A mesma coisa com Roberto, que está no cargo de prefeito atualmente. Qualquer análise em relação a ele é construída em cima de fatos palpáveis de uma gestão que vem acontecendo e por isso oferece elementos diariamente. Isso transmite segurança ao eleitor. A pandemia do novo coronavírus ajuda a explicar a opção da maioria dos eleitores por dois nomes experientes.
Os próximos anos serão desafiadores e a população não quer um estreante na gestão pública. O conhecimento da máquina por dentro faz com que a cidade saia na frente na busca de uma retomada, tanto do ponto de vista econômico quanto social e de saúde. Essa tendência clara do eleitorado de querer gestores experimentados é algo inédito em Anápolis, que ao longo das eleições sempre deu espaço para a terceira via.
Gomide e Roberto viveram essa situação, embora ambos já estivessem na vida pública/política quando se candidataram pela primeira vez. Também pesa contra o surgimento de uma terceira via a grande quantidade de nomes que tentaram se intitular como novidade nesta eleição. É bom lembrar que Anápolis teve um recorde de candidatos a prefeito.
Isso divide a preferência entre aqueles que mesmo diante do cenário atual, ainda pretendem fazer uma aposta na hora de votar. A terceira vez passa também por um exercício de futurologia, de achar mas não ter elementos para saber se o candidato será um bom prefeito.
Nas principais cidades do Brasil, esse tipo de novato não tem prosperado