A principal vantagem do Brasil sobre os Estados Unidos na guerra de egos entre os comandantes dos dois países está na produção de alimentos. Não que os americanos sejam ineficientes neste quesito. Acontece que, além da qualidade, os produtos brasileiros são mais baratos, de melhor qualidade e agradam ao consumidor norteamericano. Tem mais: se o governo de lá mantiver o posicionamento de cobrar taxas abusivas nas operações, vai desagradar, mais, aos americanos do que aos brasileiros. Por uma razão muito simples: o preço dos produtos vai aumentar para eles e, ninguém gosta de preço alto, inclusive os ianques. Em resumo, assim que começarem a sentir o desconforto do reajuste nos preços dos produtos importados, por conta do tal “tarifaço” eles vão começar a questionar o governo sobre os motivos da carestia. Aí, o reflexo é político.
Por Vander Lúcio Barbosa
Do lado de cá do oceano, embora preocupados, povo e governo buscam novos parceiros comerciais. Se os americanos não desejam produtos brasileiros, povos como os chineses demonstram grande interesse. A China, com um mercado consumidor crescente e grande poder econômico, compra soja, milho, café, carnes e muito mais. E não somente eles: países como Vietnã, Índia, Oriente Médio e até da Oceania já negociam alimentos com o Brasil, impulsionados, em parte, pelos reflexos da pandemia da Covid-19. Essas novas fronteiras comerciais, em processo de abertura, reforçam a relevância do Brasil como fornecedor global de alimentos. Afinal, nenhuma nação pode sobreviver sem garantir comida para sua população, e o Brasil desponta como líder nesse segmento.
Claro que, a princípio, algumas mudanças podem causar desconforto em setores específicos. Contudo, como diz o ditado, “capital não tem pátria”. Se o governo Trump dificulta o comércio com o Brasil, o mundo não acaba por isso. As relações comerciais sempre foram parte da história da humanidade e, atualmente, a China desponta como o maior parceiro econômico do Brasil, com relações cordiais que, espera-se, continuem. Estados Unidos são importantes, mas não insubstituíveis.
É provável que essa disputa não dure muito. Por mais radicais que sejam, os governos de Brasil e Estados Unidos acabarão priorizando os interesses de seus povos. Ideologias e governos passam, mas o que prevalece é o pragmatismo e a racionalidade econômica. A história mostra que conflitos cedem lugar ao diálogo. Assim, cedo ou tarde, as coisas se ajustam. Que seja o mais breve possível.
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