Projeto prevê cruzar 45 países em 150 dias
O administrador de empresas Alexandre Frota, conhecido como Alex Bacana, iniciará dentro de poucas semanas a primeira volta ao mundo solo feita por um brasileiro em um avião monomotor RV-10. Ele programou a decolagem para 15 de março de 2026, partindo de Fortaleza, em horário técnico ainda sujeito às condições meteorológicas. O plano prevê 74 mil quilômetros, travessia por cinco continentes e retorno ao Brasil após cerca de 150 dias.
Planejamento técnico
A preparação começou a ganhar forma em 2022, logo após Frota conquistar o brevê aos 44 anos. No entanto, ele relata que a ideia amadureceu ao longo de mais de uma década. “A volta ao mundo nasceu como um questionamento pessoal sobre limites e responsabilidade. Eu queria saber até onde poderia ir mantendo método e coerência”, afirma.
Formado em Administração pela Universidade de Fortaleza e com MBA pelo IBMEC, Frota possui certificações CGA, CFP e CEA e é administrador de carteiras credenciado pela CVM. Ele explica que aplicou ao projeto a mesma lógica usada na gestão de risco financeiro. “O projeto foi tratado como um plano de longo prazo. Houve preparação técnica, organização financeira e definição de etapas. Não existe improviso quando se assume uma responsabilidade dessa dimensão”, diz.
Frota estruturou ainda seguros internacionais, matriz de risco, estudo de performance da aeronave experimental e definição de aeroportos alternativos ao longo de toda a rota. O avião utilizado será o RV-10 de matrícula PT-ZRQ.

Estrutura pessoal
Casado e pai de dois filhos, Frota afirma que só confirmou a data da decolagem após definir uma reserva financeira que garantisse estabilidade para a família durante os cinco meses fora. Ele organizou despesas, patrimônio e atividades profissionais para manter o trabalho de forma remota. “Eu não poderia sair do país sem garantir estabilidade para minha família. A reserva foi construída com antecedência e com margem de segurança”, afirma.

Projeto ampliado
O projeto Frotas Pelo Mundo começou como um diário de bordo para familiares, mas evoluiu para uma iniciativa estruturada com equipe de marketing, produção, série documental e transmissões ao vivo. Hoje, reúne milhares de seguidores. “Com o tempo, entendi que a jornada poderia ter impacto além da realização pessoal. Transformei o sonho em projeto com propósito”, diz.
A rota inclui América do Norte, Groenlândia, Islândia, Europa continental, Oriente Médio, Ásia, Oceania e retorno pelas Américas. Frota espera três grandes aprendizados: fortalecimento da resiliência, ampliação da visão cultural e reafirmação do planejamento como ferramenta de execução. “No mercado financeiro, você não controla o cenário externo, mas controla sua exposição ao risco. No voo, não controlo o clima, mas controlo o preparo, combustível e alternativa de pouso”, afirma.
A jornada prevê ainda ações educacionais e conexões com organizações internacionais. Com a decolagem marcada para março, Frota aposta na disciplina e no planejamento para completar o trajeto inédito no monomotor RV-10.
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