Itumbiara amanheceu mais silenciosa. O peso de uma tragédia que interrompe o riso de duas crianças e encerra três vidas em um ato de violência extrema não cabe em palavras, mas exige de nós um momento de profunda introspecção. Quando a vingança se sobrepõe ao instinto mais básico de proteção — o de um pai pelos seus filhos —, somos confrontados com a face mais sombria do coração humano.
Eventos como este nos lembram de forma dolorosa que o coração humano pode ser um terreno fértil para o abismo. Por isto a Bíblia afirma que o “coração do homem sofre uma corrupção profunda. Quem o pode conhecer?”
O momento não é para acusar o autor da tragédia, pelo contrário, precisamos de muita empatia. Somos convidados a olhar para dentro de nós mesmos e refletir sobre os riscos que corremos quando o desejo de posse e controle, sufoca a razão. O erro de um adulto jamais justifica o sacrifício de inocentes. Usar a vida de crianças como moeda de troca para a dor pessoal não é apenas um crime; é uma falência espiritual e moral absoluta. Mesmo assim, não somos autorizados a uma atitude de arrogância moral, nem para nos considerarmos acima de quem quer que seja e até do próprio mal.
Grandes catástrofes começam com pequenas rachaduras na alma que foram ignoradas. O isolamento, o silêncio diante da dor e a falta de canais de ajuda podem transformar um conflito familiar em uma tempestade devastadora. Precisamos nos perguntar: estamos atentos aos sinais de que estamos perdendo a cor na alma, a sensatez e o equilíbrio. Precisamos procurar ajuda e conversar sobre nossa dor.
Nesta hora, não cabe o julgamento rápido ou a curiosidade mórbida. Cabe o acolhimento. Precisamos ser figuras de suporte que sustentam aqueles que ficaram para trás. A mãe que sobrevive a esse pesadelo, os familiares e os amigos das crianças precisam de uma rede de apoio que seja um ponto de cura, apoio e redenção em meio ao caos e ao luto.
Resta-nos o compromisso de não nos tornarmos indiferentes. A fé não nos dá todas as respostas sobre o “porquê”, mas nos oferece o ombro para o “como continuar”. Precisamos de uma sociedade onde a vulnerabilidade não seja vista como fraqueza e onde o perdão e o cuidado emocional sejam prioridades, para que o ódio não encontre mais espaço para agir.
Que Itumbiara e todos nós choremos por esta tragédia, mas que sejamos despertados para um cuidado mais atento uns com os outros. Onde o pecado e a dor abundaram, que a solidariedade e a vigilância mútua superabundem. Que o abismo não nos engula, de forma voraz, como o buraco negro, atraindo-nos para o caos, o vazio e a dor.
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