
E é por isto que não é uma boa idéia conviver com pessoas que só reclamam. Escrevo isto por compromisso com a lucidez. Porém, tenho convicção que reclamar faz parte da condição humana e é uma ação legítima, necessária e, muitas vezes, o passo inicial para uma mudança. O problema surge quando a reclamação deixa de ser diagnóstico e passa a ser identidade ou uma mania eterna da pessoa e isto acontece quando a pessoa não descreve mais a realidade, apenas a amaldiçoa e o faz como sua maneira de ser. Com certeza, um vício!
Reclamar de tudo: do governo, do clima, do trânsito, do trabalho, da família, dos amigos, da economia, da juventude, da velhice, da comida do restaurante chique e até da tecnologia, como se o mundo tivesse a obrigação moral de se ajustar ao seu desconforto pessoal é uma postura que não transforma, não educa e não ilumina. Só desconstrói. Até porque, ao reclamante, se tudo está errado, nada depende dele. É sempre o outro, o sistema, o tempo, a sorte, o passado ou o futuro. Nunca o agora. Nunca o “eu”. E, cá pra nós, transformar o desânimo em discurso permanente é abdicar do papel de cidadão consciente e assumir o papel de espectador amargo.
Sim, atesto que é muito mais saudável construir pontes e pessoas que só reclamam não constroem pontes. Cavam abismos. E a reclamação vazia nasce do vício da insatisfação e a vida exige mais coragem do que lamúria. Mais atitude do que murmúrio. Afinal, o mundo já é duro demais para ser habitado apenas por vozes que reclamam e precisa, urgentemente, de pessoas que assumam o risco de melhorar o que criticam. Sendo verdade, também, que o mundo, Brasil no meio, não precisa de mais reclamantes mas de gente disposta a transformar aquilo que insiste em criticar. Essa é a escolha silenciosa que separa quem apenas fala de quem realmente faz.
Se você, amigo leitor, enquadra-se nesse contexto acima e quer melhorar, há bastante literatura sobre o assunto. O livro “A Arte de Reclamar” de Ronaldo J. N. de Carvalho, publicado em 1995, por exemplo, aborda a reclamação sob a perspectiva de como as pessoas lidam com as frustrações e situações do dia a dia e como expressam seu descontentamento. Explora o ato de reclamar como uma parte normal da experiência humana e diferencia a reclamação vazia.
Para Ronaldo uma reclamação eficaz expõe um problema e busca uma solução, funcionando como um super poder para catalisar melhorias em ambientes. Em essência, a obra convida o leitor a refletir sobre a natureza da reclamação, suas motivações e, talvez, a melhor forma de canalizar essa energia para a resolução de problemas reais. Nossos sonhos são que em 2026 façamos o melhor: criemos pontes de amizades, amor e companheirismo e façamos de nós mesmos o que queremos que seja a nação brasileira. Será bom! Em frente!
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