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A acelerada desindustrialização no Brasil

de Moacir Lázaro de Melo
12 de junho de 2015
em Opinião
Reading Time: 3 mins read
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Nos últimos 45 anos, a participação da indústria na formação do PIB, no mundo todo, vem declinando substancialmente. Em países altamente industrializados, nos anos 70, a indústria representava em torno de 40% do PIB. Agora, 10 a 11%. Trata-se de um fenômeno mundial, irreversível, sem volta. No Brasil, nossa industrialização está representando agora, 2015, em torno de 10% da riqueza anual, segundo o IBGE. Em 2008, representava 18,55%. A questão é: para onde vai a indústria brasileira? Há desindustrialização no Brasil?
Com muitas inovações e tecnologias, as nações industrializadas ricas tenderam a terceirizar suas indústrias: normalmente, as indústrias pesadas para países extremamente pobres; e, por outro lado, automatização crescente, programas de computadores cada vez mais intensos que movimentam rubôs e estes tomam conta da produção, com grande vantagem: não reclamam de trabalho pesado, hora-extra, e não têm, ainda, sindicatos nem justiça trabalhista. Isto aumentou a produtividade no mundo todo, diminuiu a importância da mão-de-obra industrial. Esta evolução é uma busca contínua e permanente. A lógica é então: faça qualquer coisa que diminua o custo de produção, corte custos, corte preços, corte o custo do capital.
Em nosso Brasil, não estamos, pois, na contra mão da desindustrialização mundial. Estamos diminuindo juntos, porém de maneira mais acelerada. Temos problemas estruturais seríssimos: inflação, uma carga tributária que incide sobre a indústria nacional de maneira avassaladora, em torno de 40% da produção (IRPJ de 15+10%, CSLL de 9%, mais PIS de 1,65%, COFINS de 7,6%, ICMS 17% em média e IPI variável). Os impostos são pagos antecipadamente pelas indústrias, antes mesmo de receberem os recursos oriundos da comercialização de seus produtos, iniciando-se no dia 5 e indo até o final de cada mês. Isto descapitaliza e inviabiliza qualquer indústria ou negócio. Até porque quando se busca recursos financeiros, os juros são os mais altos do mundo. A fome do Estado, cada vez maior, está, rapidamente, matando a galinha dos ovos de ouro.
Tem mais: burocracia, regulamentações excessivas, legislação trabalhista forte e engessada demasiadamente, leis de proteção trabalhista cada vez mais rigorosa que impõe pesadas multas por quaisquer pequenas anomalias, terceirização proibida, encargos trabalhistas faraônicos, sindicatos fortíssimos que impõem aumentos de salários reais irreais, tudo isto concorre para que estejamos correndo na frente neste processo, sem retorno. Para você entender, prezado leitor, rapidamente este imbróglio todo, eis um exemplo clássico: agora em maio/2015, o País Turquia exportou e continuará exportando para o Brasil, entregando em qualquer Porto, o KG do aço a R$ 2,40. Enquanto isto, nossos principais fabricantes nacionais exigindo em torno de R$ 3,80 o KG. Dá para entender isto? De quem você compraria?…
Dentro deste contexto, como ser competitivo num mercado mundial cada vez mais exigente em preço e qualidade? Impossível!… Com vender produtos industriais para países de primeiro mundo? Esqueçam! Resta-nos o consolo de tentar vender para o terceiro mundo que está, como nós, em dificuldade (Argentina, Venezuela, etc..). Porém, o certo é que, com todos estes fatores negativos, sem que todos esses problemas sejam atacados, não haverá nenhuma solução possível. Empréstimos do BNDES, câmbio alto, ou isenções pontuais de certos impostos, processo muito utilizados por este Governo, em sua primeira edição, não reverterá este processo. Será necessário, isto sim, uma política industrial forte de incentivo à inovação, ao conhecimento, às novas tecnologias, ao mesmo tempo que bata de frente para resolver, principalmente, o problema colocado que se chama-se: ´Custo Brasil´. Fora disto, restará o consolo de sermos, em breve, somente uma pátria AGRÍCOLA. Até porque, é o que tem salvado o Brasil, nos últimos anos.

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