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Até onde e quando irá o petróleo do pré-sal brasileiro?

de Moacir Lázaro de Melo
26 de junho de 2015
em Opinião
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Há 80 anos atrás, em cartas enviadas em 20/01 e 19/08/1935, o escritor Monteiro Lobato denunciou ao então Presidente da República, Getúlio Vargas, manobras da empresa petrolífera ´Standard Oil Of Argentina´ de tentar adquirir as terras potencialmente produtoras de petróleo brasileiras, bem como a burocracia montada no Estado Brasileiro que visava dificultar a então Cia. De Petróleo do Brasil, a realizar pesquisas e prospecções em nosso território. Trecho da carta: …´há gente paga por estrangeiros para que o Brasil nunca tenha seu petróleo´. Bravo Monteiro Lobato! Sua luta em provar que o ´petróleo era nosso´ foi vitoriosa, apesar da intromissão das multinacionais que queriam se tornar as donas do mundo.
Getúlio criou a Petrobras em 1953, que, com sacrifício de todos os brasileiros, tornou-se uma das maiores empresas do mundo, desenvolveu tecnologia de ponta para extração e refino de petróleo, criou um quadro de funcionários capacitados e preparados, graças, também, um mercado interno promissor. Também expandiu para mais 25 países. Em 2008, agosto, o então Presidente Lula anunciou as descobertas bilionárias das reservas de petróleo no pré-sal em aguas profundas do litoral brasileiro: 60 bilhões de barris de óleo, podendo chegar a 100, número que considerando um consumo de 3 milhões de barris/dia, temos petróleo para mais de 60 anos. Considerando outras fontes de energia em expansão, nossos problemas estariam resolvidos nos próximos 100 anos.
Responda rápido: Ninguém para atrapalhar agora? Se Lobato estivesse aqui, estaria tranquilo? Engana-se quem pensou que sim! A burocracia agora virá travestida de padrão internacional de qualidade ambiental. Recentemente, junho/2015, o grupo dos 7 países mais ricos do planeta, G7, (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, França e Japão) entraram em consenso, sobre a necessidade de descarbonizar a economia do mundo, porquanto, a continuar o atual rítmo atual da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, a temperatura do nosso planeta subirá mais 2 graus no próximo século e o planeta não será mais sustentável. Vamos todos morrer queimados, sem água e sem alimentos. A ordem é pesquisar e desenvolver tecnologias sustentáveis, verde, renovável. O certo é que daqui para frente sairá na frente quem descobrir energia sustentável. Não adianta chorar nem reclamar.
É consenso do G7, bem como de todas organizações ambientais mundiais, que é preciso banir da matriz energética mundial o petróleo, gás natural e carvão, baixando até 2.050 de 40 a 70% em relação aos níveis de 2010. Pois bem, mas o que virá com isto? Embora não seja, ainda, um consenso mundial, a decisão abre espaço para que muita gente envolvida com a sustentabilidade do planeta (Greenpeace, ambientalistas, etc,) venha aumentar as pressões ambientais cada vez mais, fato que poderá inviabilizar o Pré-Sal brasileiro em poucos anos. Afinal, antes disto, Mário Astrini, Coordenador do Greenpeace Brasil já declarou que é ´urgente a necessidade de combater as mudanças climáticas. Muitas pessoas ao redor do mundo já sentem o efeito do clima mais quente, mormente pessoas mais pobres´.
A decisão do G7, contudo, só deverá ser editada em dezembro/2015, na 21ª. Conferência do Clima (COP-21), a ser realizada em Paris, França. Como 87% de todo combustível consumido no planeta é de origem fóssil, a mudança para energia verde, sustentável, exigirá esforços redobrados de todos países do planeta. Pelo sim, pelo não, empresas alemãs já se comprometeram a ofertar nos próximos 2 a 3 anos, todos seus modelos de carros em versão híbrida (gasolina e energia/bateria). As pesquisas vão acelerar doravante e não terão fim. Se quisermos, pois, estarmos na vanguarda, teremos que investir pesado também em pesquisa na busca de energia sustentável. Ficar reclamando não vai adiantar muito. Temos boas fontes que poderemos aproveitar (álcool, terras agricultáveis, muita água, ventos, sol quente, etc.). Acredito que sairemos com facilidade dos combustíveis fósseis. Afinal é uma decisão que garantirá o futuro das gerações vindouras.
A questão proposta é o que fazer com o nosso decantado em verso e prosa PRÉ-SAL que tantas discussões gerou no nosso meio político para determinar quem ficaria com os recursos oriundos dos royalties, uma discussão que durou anos e anos? Quem viver, verá! Tudo indica que boa parte dele ficará no lugar onde não deveria sair: no fundo dos oceanos, de 7 a 8.000 metros abaixo do nível do mar. Resta-nos contextualizar o momento do grande Brasileiro Monteiro Lobato, que, acredito, se aqui estivesse, futurista que era, já estaria com novas soluções para nossa futura principal matriz energética.
É hora, pois, de cada um de nós, brasileiros, colocar nossos cérebros e esforços visando enxergar o futuro. Pensemos, nisto!…

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