Investigação aponta retirada fraudulenta dos automóveis e venda de peças após desmonte em São Paulo
O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou uma nova etapa da Operação Sucata 0 km para investigar uma suposta rede envolvida na retirada irregular de veículos de uma montadora instalada em Anápolis. Segundo o órgão, o esquema teria provocado prejuízo estimado em R$ 8.775.844,52.
A operação foi realizada na terça-feira (29), com o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em endereços comerciais e residenciais de São Paulo e São Bernardo do Campo.
Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens móveis, imóveis e valores financeiros dos investigados. As medidas têm como objetivo localizar patrimônio relacionado ao caso e garantir eventual reparação dos prejuízos.
Como funcionava
Segundo o MPGO, a investigação começou após a identificação de inconsistências no controle de estoque da montadora. Com o avanço das apurações, os investigadores chegaram a um ex-funcionário que teria utilizado o acesso e a confiança obtidos dentro da empresa para viabilizar a retirada dos automóveis.
Os desvios teriam ocorrido entre o fim de 2023 e o início de 2025. Conforme a investigação, notas fiscais fraudulentas eram utilizadas para simular que os veículos seriam encaminhados para serviços externos, como blindagem ou instalação de acessórios.
Ainda de acordo com o Gaeco, o ex-funcionário teria criado um perfil fictício de analista de marketing e usado essa identidade para encaminhar solicitações fraudulentas por e-mail, dando aparência de regularidade às retiradas.
Carros desmontados
Depois de deixarem a fábrica em Anápolis, os veículos eram transportados para São Paulo e São Bernardo do Campo. As investigações também identificaram o envio pontual de um automóvel para Santa Catarina.
No estado de São Paulo, comerciantes dos setores de autopeças e sucatas teriam adquirido os veículos por valores abaixo dos praticados no mercado.
Os carros eram posteriormente desmontados, e os componentes eram vendidos em estabelecimentos comerciais e anunciados nas redes sociais. Segundo o MPGO, alguns anúncios apresentavam as peças como provenientes de veículos zero-quilômetro.
Parte dos automóveis ou componentes teria sido mantida em oficinas e galpões antes da comercialização.
Investigação
Na primeira fase da operação, o Gaeco identificou a estrutura responsável pela retirada dos veículos em Anápolis e pelo recebimento deles em território paulista.
O Ministério Público ofereceu denúncia contra o homem apontado como responsável pelo esquema e empresários que teriam participado da aquisição dos veículos. Segundo o MPGO, os investigados respondem por associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança continuado, além de receptação qualificada no exercício de atividade comercial.
A nova etapa busca reunir novas provas, localizar veículos e peças relacionados ao caso e identificar outros possíveis envolvidos.
As medidas de bloqueio e sequestro de bens também foram determinadas para preservar patrimônio que possa ser utilizado na eventual reparação dos prejuízos atribuídos ao esquema.
Os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva pela Justiça.
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
