Além da incompreensão e da irreverência de muitos, a incerteza de quando vai ser possível a vacinação contra a covid-19 alcançar o índice mínimo desejado, é o fenômeno social que mais atormentou a humanidade até hoje. Nem mesmo as duas guerras mundiais causaram tanta incerteza, tanta dor e tanto sofrimento. O maior problema, entretanto, não é a vacina. Ela é, por assim dizer, uma forma de bloquear, de interceptar a virulência, ou seja, a propagação do vírus. O grande lance está na descoberta de um (ou, mais de um) medicamento que combata a moléstia. Mas, por enquanto, nem pensar nisso.
Um dia, claro, vão descobrir a fórmula química e científica para o combate eficaz ao coronavírus em suas diferentes mutações. Até lá, entretanto, há de se caminhar um longo caminho. Caminho de dores, de sofrimentos e de angústias. Em suas margens, ficam milhares e milhares de cadáveres que, até há um ano, não se cogitava de ver. A dor maior fica para quem já perdeu entes queridos. Há casos em que famílias inteiras foram dizimadas em questão de dias, de semanas. Há casos, aos milhares, em que a incerteza toma conta de muita gente, pois seus parentes, amigos e outras pessoas de suas relações estão agonizando em leitos de hospitais, sabe-se lá até quando.
O mais doloroso e incompreensível, entretanto, é a guerra política (pelo menos no Brasil) que se trava em torno da doença. Esta, por sinal, ficou em segundo plano. Agora, a preocupação é para se saber qual o governante que chegará com a “tocha olímpica” na “linha final”, atraindo para si os louros da vitória. Uma vitória que não se sabe quando virá. Enquanto isso, os cemitérios em todo o mundo, vão se enchendo de cadáveres, muitos deles sem sequer terem sido velados. Vão para os túmulos frios, e deixam para trás uma volumosa esteira de incertezas. Até quando isso vai durar?
