Nunca, em tempo algum, a política e o ódio andaram tão juntos no Brasil como no atual contexto. Temos perdido a sensatez, o equilíbrio emocional e a capacidade de sermos racionais. A intolerância tomou conta de uma preocupante maioria, o que sinaliza tempos de dificuldades em todo o tecido social. A questão ideológica está irrelevante, quase imperceptível. O que tem valido é a “verdade absoluta” de muitos, daqueles intransigentes, que se arvoram de senhores da razão. E, para piorar (Lei de Murphy – não há nada ruim que não possa piorar) surgiu um ingrediente de há muito distanciado das polêmicas sociais: a questão religiosa.
A discussão política deixou os comícios, as concentrações, os palanques, e, as tribunas. Foi para os altares, para os púlpitos, com grupos que se digladiam, impulsionados por gente de intenções duvidosas, que adiciona combustível na fogueira do imponderável. Mas, na verdade, o alvo é único: o poder. Poder pelo poder. Gente comum do povo, bem intencionada, tem se transformado em massa de manobra por grupos e grupelhos politiqueiros com intenções duvidosas.
Tem-se como certo que, a ‘política do ódio’ transforma o adversário em um inimigo a ser destruído a qualquer preço. Substitui-se o debate de idéias e o pacto civilizatório por violência, intolerância e divisão social. Resultado disso? O debate democrático cede espaço para a desqualificação, onde quem pensa diferente não é visto apenas como divergente, mas como uma ameaça moral ou existencial. É quando surgem a polarização e o discurso agressivo, que ultrapassam os espaços institucionais e chegam aos lares, rompem laços entre familiares, amigos e comunidades. Irmãos que não se respeitam, não se falam. Casamentos destruídos, amizades antigas desmanchadas, sonhos desfeitos.
Em resumo, esta situação faz nascer o sentimento de raiva (ou, de ódio) que é frequentemente mobilizado por lideranças e grupos políticos como ferramenta para engajar eleitores e conquistar ou manter o poder. Capítulo final: o clima de hostilidade enfraquece a confiança nas instituições democráticas e estimula a propagação de desinformação e ataques contra a imprensa e a liberdade de expressão. Pouca gente tem pensado nisso.
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