
Durante décadas, o consumidor brasileiro conviveu com opções bastante restritas no mercado automotivo. A escolha, na prática, girava em torno de cinco grandes montadoras instaladas no país: Toyota, Volkswagen, Ford, Chevrolet e, a partir da década de 1970, a Fiat. Essas marcas dominavam o mercado, determinavam preços, definiam os modelos disponíveis e, sobretudo, estabeleciam o padrão tecnológico ao qual o brasileiro teria acesso.
Embora a abertura econômica promovida no início dos anos 1990 tenha permitido a entrada de importados, foi somente após a estabilidade trazida pelo Plano Real, a partir de 1994, que o cenário começou a mudar de forma mais consistente. Novas fabricantes passaram a enxergar o Brasil como mercado estratégico, trazendo produtos mais sofisticados e, em muitos casos, instalando operações locais. Foi o período em que marcas como Audi, Mercedes-Benz, Honda, Peugeot, Citroën, BMW e Jaguar Land Rover ampliaram sua presença. A própria CAOA iniciou produção local com modelos da Hyundai e, posteriormente, passou a fabricar veículos da Chery, além de representar outras marcas.
Foi a partir da segunda metade dos anos 1990 que o consumidor passou a ter acesso mais amplo a veículos com tecnologia embarcada, foco em segurança e preocupação crescente com emissões de poluentes. No entanto, o movimento mais disruptivo viria duas décadas depois — e não se trata de um fenômeno exclusivamente nacional, mas global.
Desde os anos 2000, o mundo assiste à consolidação dos veículos eletrificados, sejam eles híbridos ou totalmente elétricos. No Brasil, essa transformação ganhou força sobretudo nos últimos cinco anos, alterando de maneira significativa a dinâmica competitiva. Um marco simbólico ocorreu no fechamento das vendas de fevereiro deste ano: o BYD Dolphin Mini liderou o varejo nacional. Pela primeira vez, um modelo 100% elétrico foi o mais vendido ao consumidor final no país — dado relevante por excluir compras corporativas, frotistas e vendas com incentivos específicos.
O avanço não para aí. A GWM registrou crescimento superior a 100% nas vendas de modelos híbridos e elétricos no mesmo período. Já a CAOA Chery surpreendeu no lançamento do novo Tiggo 5X: a expectativa era comercializar 5 mil unidades, com 3 mil em estoque, mas 12 mil foram vendidas em apenas quatro dias.
O mercado muda em velocidade acelerada. O consumidor brasileiro demonstra estar atento a tecnologia, eficiência, acabamento e preço competitivo. Tradição, isoladamente, já não garante liderança. Quem não compreender essa nova lógica corre o risco de ficar para trás.
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