Projeto reconhece trajetória histórica do audiovisual local e valoriza profissionais do setor cultural
A vereadora Andreia Rezende (Avante) apresentou na Câmara Municipal de Anápolis o Projeto de Lei nº 90, de 29 de abril de 2026, que institui o Dia do Cinema Anapolino, a ser celebrado anualmente em 30 de julho. A proposta busca reconhecer a importância histórica, cultural e econômica do audiovisual para o município, além de incentivar a produção cinematográfica local e fortalecer a identidade cultural anapolina.
De acordo com o texto, a data passará a integrar o calendário oficial do município e poderá ser marcada por mostras de cinema, festivais, exibições audiovisuais, oficinas, palestras, homenagens e ações de capacitação voltadas aos profissionais da área.
A iniciativa resgata uma história que acompanha Anápolis há mais de um século. Os primeiros registros de exibições cinematográficas na cidade remontam à década de 1920, período em que o cinema itinerante despertava curiosidade e encantamento entre os moradores. Um dos marcos desse processo foi o Cine Bruno, beneficiado por legislação municipal ainda em 1924.
Tempos Dourados
O desenvolvimento urbano experimentado por Anápolis nas décadas seguintes favoreceu a consolidação do cinema como importante manifestação cultural. A inauguração do Cine Teatro Imperial, em 1936, marcou o início da chamada era de ouro dos cineteatros locais.
Posteriormente, espaços como o Cine Santa Maria, Cine Teatro Santana e Cine Teatro Vera Cruz passaram a integrar a vida cultural da cidade, reunindo gerações de espectadores e contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do município.
Embora os cinemas de rua tenham perdido espaço nas décadas de 1980 e 1990, em razão das transformações tecnológicas e dos novos hábitos de consumo cultural, o audiovisual anapolino encontrou novos caminhos.
Novo Ciclo
Nas últimas duas décadas, Anápolis assistiu ao fortalecimento da produção independente, especialmente de curtas-metragens, consolidando-se como um importante polo criativo em Goiás. Projetos culturais, ações educacionais e iniciativas de formação profissional contribuíram para o surgimento de novos talentos e para a valorização de narrativas ligadas à realidade regional.
A criação do Dia do Cinema Anapolino também atende a uma antiga reivindicação da classe artística e de profissionais da imprensa local. O movimento foi liderado pelo ator e comunicador social Gildo Ribeiro, que há anos defende o reconhecimento institucional da contribuição do audiovisual para a formação da identidade cultural do município.
Para os defensores da proposta, a oficialização da data representa não apenas uma homenagem ao passado, mas um estímulo às futuras gerações de cineastas, produtores, roteiristas, atores e comunicadores que ajudam a contar, por meio das telas, a história de Anápolis.
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