Em menos de sete dias, três episódios de violência racial chocaram Anápolis e mobilizaram o COMPIR
O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR) divulgou nesta sexta-feira, 28, um manifesto público contra o racismo em Anápolis. A nota foi motivada por três graves ocorrências registradas em menos de uma semana, todas envolvendo vítimas negras que tiveram, segundo o manifesto, sua dignidade violada.
No dia 25, uma jovem aprendiz de 17 anos foi alvo de ofensas racistas no local de trabalho. O agressor, um homem de 65 anos, chamou a adolescente de “macaca” e foi preso após intervenção imediata do COMPIR e da polícia. No mesmo dia, um jovem angolano de 21 anos sofreu ataques xenofóbicos na instituição onde trabalhava como zelador. Ele encontrou um bilhete ofensivo e pediu desligamento, enfrentando consequências emocionais e profissionais. Já em 26 de novembro, uma funcionária de estabelecimento comercial foi chamada de “cachorra” por uma cliente, que questionou a contratação de uma mulher negra para o caixa.
Posição firme
O COMPIR destacou que os episódios não são casos isolados, mas evidências da persistência do racismo estrutural. O manifesto reforça que racismo é crime, inafiançável e imprescritível, conforme a Constituição Federal. “Não é opinião, não é desentendimento, não é exagero. É crime e deve ser tratado com rigor”, afirma o documento.
O Conselho também declarou que Anápolis não tolerará o avanço do ódio racial. Como órgão de controle social e defesa dos direitos humanos, reafirmou seu compromisso histórico no enfrentamento à discriminação racial, xenofobia e violência.
Apoio às vítimas
O manifesto expressa solidariedade plena às vítimas e suas famílias, colocando o COMPIR à disposição para suporte institucional e encaminhamentos necessários. A nota ressalta que os episódios ocorreram justamente no Mês da Consciência Negra, o que torna ainda mais urgente o enfrentamento da violência racial.
O COMPIR anunciou que seguirá atuando pela responsabilização dos agressores e pelo fortalecimento de políticas públicas que enfrentem o racismo em todas as áreas da vida social: educação, trabalho, segurança, serviços públicos e espaços comunitários. “Não retrocederemos. Não silenciaremos. Não aceitaremos a naturalização da violência racial”, conclui o manifesto assinado pelo presidente Lion Marcos Ferreira e Silva.
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