Delegado anapolino revela tentativa de autoextermínio, diagnóstico tardio de autismo e clama por compreensão
Uma das figuras mais conhecidas e respeitadas de Anápolis decidiu abrir as portas de sua intimidade para falar de uma dor que, por décadas, permaneceu silenciosa. O delegado de Polícia Civil Manoel Vanderic Correa Filho, referência em segurança pública e na defesa das pessoas com deficiência, revelou neste domingo, 5, em suas redes sociais que, no início do ano passado, tentou tirar a própria vida.
“Eu tomei todos os medicamentos que tinha em casa”, confessou.
A declaração, forte e impactante, ganha ainda mais relevância por partir de um homem público acostumado a lidar diariamente com o sofrimento alheio, mas que agora encontra coragem para expor o próprio drama.
No Limite
Após quase dois meses sem conseguir dormir adequadamente, Vanderic chegou ao ponto mais crítico de sua vida.
Em um momento de desespero, ingeriu diversos medicamentos, mas um súbito insight o fez perceber a gravidade da situação. Durante a madrugada, ligou para um amigo psiquiatra que prontamente o socorreu. “Se não fosse ele, eu não estaria aqui.”
A tentativa de autoextermínio se transformou em um divisor de águas. O episódio o levou a buscar ajuda especializada e iniciar uma jornada de autoconhecimento que culminaria em uma descoberta surpreendente.
Diagnóstico Tardio
Após meses de avaliações, testes e acompanhamento multidisciplinar, veio a confirmação: aos 42 anos, Manoel Vanderic recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Uma a cada 36 pessoas é autista. E eu sou uma delas.”
O delegado relata que passou a vida inteira convivendo com dores, crises de ansiedade, insônia, depressão, problemas gastrointestinais e dificuldades de relacionamento, sem jamais compreender a origem de tudo isso.
“Quando a gente vive muito tempo com a dor, não tem referência do que é viver sem ela.” A partir do diagnóstico, inúmeras peças de um grande quebra-cabeça começaram a se encaixar.
Dor Invisível
Em seu emocionante relato, Vanderic descreve o autismo como uma condição que atravessa todos os aspectos da existência.
As dificuldades não se restringem às relações sociais. Há também dores físicas, tensões musculares, crises de ansiedade, episódios depressivos, sobrecarga sensorial e uma enorme dificuldade em interpretar as próprias emoções.
Ele relata, por exemplo, nunca ter conseguido frequentar festas, bares ou shows e revela que situações aparentemente simples, como ir ao supermercado, podem se transformar em experiências insuportáveis. “Às vezes, abandono o carrinho na fila e vou embora.”
“Com frequência, comportamentos provocados pelo transtorno são interpretados como arrogância, frieza ou desinteresse, gerando preconceito e isolamento”, reforça Vanderic Filho.
Voz Necessária
Ao tornar pública sua condição, o delegado afirma que não busca compaixão, mas conscientização. Segundo ele, ainda há um profundo desconhecimento sobre o autismo, especialmente em relação aos adultos diagnosticados tardiamente. Seu depoimento também lança luz sobre uma realidade pouco discutida: o elevado índice de sofrimento psíquico entre pessoas autistas.
A expectativa de vida dessa população é significativamente menor do que a média da população em geral, e muitos convivem com depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. “Isso não é um privilégio, é uma tentativa de autossobrevivência”, afirmou ao se referir aos mecanismos de proteção necessários para enfrentar o cotidiano.
Homem Público
A força do testemunho ganha ainda mais dimensão pela trajetória de seu protagonista. Nascido e criado em Anápolis, Manoel Vanderic Correa Filho é filho da saudosa radialista e ex-vereadora Vilma Rodrigues Corrêa, e do renovado jornalista e empresário Manoel Vanderic, de quem herdou a vocação para o serviço público, comunicação transparente e o compromisso com as causas sociais.
Bacharel em Direito pela UniEVANGÉLICA e especialista em Segurança Pública pela Universidade Estadual de Goiás, ingressou na Polícia Civil em 2009 e consolidou-se como um dos delegados mais respeitados do Estado.
Sua carreira é marcada pelo pioneirismo no combate aos crimes de trânsito, pela defesa dos direitos dos idosos e, sobretudo, pela implantação e fortalecimento da Delegacia de Proteção à Pessoa com Deficiência, unidade da qual atualmente é titular.
Por uma dessas ironias que a vida insiste em escrever, o homem que dedicou grande parte de sua trajetória profissional à proteção das pessoas com deficiência descobriu, décadas depois, que também faz parte desse universo.
Seu depoimento ultrapassa a esfera pessoal. Transforma-se em um alerta sobre a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento adequado, da saúde mental e, acima de tudo, da necessidade de uma sociedade mais empática.
Ao revelar suas fragilidades, Manoel Vanderic oferece algo raro em tempos de aparências: humanidade. E talvez a maior lição de sua confissão esteja justamente nisso.
Mesmo aqueles que parecem mais fortes também carregam batalhas invisíveis. E falar sobre elas pode, literalmente, salvar vidas.
“Pensei em tirar a própria vida”: delegado Manoel Vanderic revela diagnóstico de autismo e faz emocionante apelo por empatia
Delegado anapolino revela tentativa de autoextermínio, diagnóstico tardio de autismo e clama por compreensão.
Uma das figuras mais conhecidas e respeitadas de Anápolis decidiu abrir as portas de sua intimidade para falar de uma dor que, por décadas, permaneceu silenciosa. O delegado de Polícia Civil Manoel Vanderic Correa Filho, referência em segurança pública e na defesa das pessoas com deficiência, revelou neste domingo, 5, em suas redes sociais que, no início do ano passado, tentou tirar a própria vida.
“Eu tomei todos os medicamentos que tinha em casa”, confessou.
A declaração, forte e impactante, ganha ainda mais relevância por partir de um homem público acostumado a lidar diariamente com o sofrimento alheio, mas que agora encontra coragem para expor o próprio drama.
No Limite
Após quase dois meses sem conseguir dormir adequadamente, Vanderic chegou ao ponto mais crítico de sua vida.
Em um momento de desespero, ingeriu diversos medicamentos, mas um súbito insight o fez perceber a gravidade da situação. Durante a madrugada, ligou para um amigo psiquiatra que prontamente o socorreu. “Se não fosse ele, eu não estaria aqui.”
A tentativa de autoextermínio se transformou em um divisor de águas. O episódio o levou a buscar ajuda especializada e iniciar uma jornada de autoconhecimento que culminaria em uma descoberta surpreendente.
Diagnóstico Tardio
Após meses de avaliações, testes e acompanhamento multidisciplinar, veio a confirmação: aos 42 anos, Manoel Vanderic recebeu o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Uma a cada 36 pessoas é autista. E eu sou uma delas.”
O delegado relata que passou a vida inteira convivendo com dores, crises de ansiedade, insônia, depressão, problemas gastrointestinais e dificuldades de relacionamento, sem jamais compreender a origem de tudo isso.
“Quando a gente vive muito tempo com a dor, não tem referência do que é viver sem ela.” A partir do diagnóstico, inúmeras peças de um grande quebra-cabeça começaram a se encaixar.
Dor Invisível
Em seu emocionante relato, Vanderic descreve o autismo como uma condição que atravessa todos os aspectos da existência.
As dificuldades não se restringem às relações sociais. Há também dores físicas, tensões musculares, crises de ansiedade, episódios depressivos, sobrecarga sensorial e uma enorme dificuldade em interpretar as próprias emoções.
Ele relata, por exemplo, nunca ter conseguido frequentar festas, bares ou shows e revela que situações aparentemente simples, como ir ao supermercado, podem se transformar em experiências insuportáveis. “Às vezes, abandono o carrinho na fila e vou embora.”
“Com frequência, comportamentos provocados pelo transtorno são interpretados como arrogância, frieza ou desinteresse, gerando preconceito e isolamento”, reforça Vanderic Filho.
Voz Necessária
Ao tornar pública sua condição, o delegado afirma que não busca compaixão, mas conscientização. Segundo ele, ainda há um profundo desconhecimento sobre o autismo, especialmente em relação aos adultos diagnosticados tardiamente. Seu depoimento também lança luz sobre uma realidade pouco discutida: o elevado índice de sofrimento psíquico entre pessoas autistas.
A expectativa de vida dessa população é significativamente menor do que a média da população em geral, e muitos convivem com depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. “Isso não é um privilégio, é uma tentativa de autossobrevivência”, afirmou ao se referir aos mecanismos de proteção necessários para enfrentar o cotidiano.
Homem Público
A força do testemunho ganha ainda mais dimensão pela trajetória de seu protagonista. Nascido e criado em Anápolis, Manoel Vanderic Correa Filho é filho da saudosa radialista e ex-vereadora Vilma Rodrigues Corrêa, e do renovado jornalista e empresário Manoel Vanderic, de quem herdou a vocação para o serviço público, comunicação transparente e o compromisso com as causas sociais.
Bacharel em Direito pela UniEVANGÉLICA e especialista em Segurança Pública pela Universidade Estadual de Goiás, ingressou na Polícia Civil em 2009 e consolidou-se como um dos delegados mais respeitados do Estado.
Sua carreira é marcada pelo pioneirismo no combate aos crimes de trânsito, pela defesa dos direitos dos idosos e, sobretudo, pela implantação e fortalecimento da Delegacia de Proteção à Pessoa com Deficiência, unidade da qual atualmente é titular.
Por uma dessas ironias que a vida insiste em escrever, o homem que dedicou grande parte de sua trajetória profissional à proteção das pessoas com deficiência descobriu, décadas depois, que também faz parte desse universo.
Seu depoimento ultrapassa a esfera pessoal. Transforma-se em um alerta sobre a importância do diagnóstico precoce, do acesso ao tratamento adequado, da saúde mental e, acima de tudo, da necessidade de uma sociedade mais empática.
Ao revelar suas fragilidades, Manoel Vanderic oferece algo raro em tempos de aparências: humanidade. E talvez a maior lição de sua confissão esteja justamente nisso.
Mesmo aqueles que parecem mais fortes também carregam batalhas invisíveis. E falar sobre elas pode, literalmente, salvar vidas.
Assista
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
