Daria um livro de dezenas ou até centenas páginas, destacando a participação da mulher ao longo de toda a história de Anápolis. Seria pretensão alcançar todas aquelas que, no seu papel, deram parte de suas vidas e suas próprias histórias em contribuição para a cidade, muitas delas de forma anônima.
A presença e a participação da mulher na história de Anápolis, vem desde os primórdios do seu surgimento. Aliás, nem projeto de vila ainda se tinha.
Conta a história que lá nos idos de 1859, Dona Ana das Dores, de passagem, pela região, vinda de Jaraguá, passava com uma comitiva pela região. Um dos animais desapareceu e, ao ser encontrado, ele não saia do lugar. Na carga daquele animal havia uma imagem de Sant´Anna.
Assim, a teimosia do animal foi interpretado como um sinal e Dona Ana prometeu que doaria a imagem à primeira capela construída no local. O que foi feito por seu filho, Gomes de Souza Ramos e, assim, a história da cidade começou.
Na década de 1920, o missionário inglês James Fanstone se estabeleceu em Anápolis e, junto com a sua esposa Ethel Marguerite Peatfield, mais conhecida como Dona Dayse, fincaram raízes e foram pioneiros, com outros, na criação do Hospital Evangélico Goiano, do Colégio Couto Magalhães e a Associação Educativa Evangélica, mantenedora da Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA).
Na década de 1940, o município recebia a primeira escola só para mulheres, o Colégio Auxílio, que teve como fundadoras as Irmãs Salesianas de Dom Bosco.
Atrizes americanas
Além-mares, Anápolis recebeu talentos de Hollywood, atraídas pelo desenvolvimento do país na chamada “Marcha para o Oeste”, no governo de Getúlio Vargas. Na década de 1950, desembarcaram por aqui Joan Lowell, Mary Martins e Janet Gaynor. Elas vieram e participaram da vida da cidade, inclusive, nos tradicionais bailes do Clube recreativo Anapolino (CRA).
Mas, seguindo adiante, no início da década de 1960 foi inaugurada a Santa Casa de Misericórdia, que traz no DNA da sua história uma mulher que muito laborou pelos pobres e os enfermos: a irmã Rita Cecílio.
Na literatura, no ano de 2000, era criada a União Literária Anapolina, a ULA, tendo à frente como uma das fundadoras a escritora Dona Loló.
No jornalismo, são várias e várias as mulheres que deram e dão sua contribuição. Mas, só para citar algumas: Haydée Jayme, que era também historiadora e escreveu o livro “Anápolis, sua história, seu povo”. Violeta Pitaluga, que assinava com o pseudônimo de Martha Celeste, assinava artigos para o combativo jornal “A Voz do Sul”, na década de 1930. Além ainda de Lucélia Cunha, Anésio Cecílio e tantas outras.
Não há também como não reservar espaço ao reconhecimento às primeiras-damas de Anápolis. Foram muitas, em nome delas, Dona Dulce de Faria, esposa do saudoso prefeito Anapolino de Faria, que deixou grande legado na área social, sobretudo, com o Projeto Dom Bosco.
Política
A primeira eleição municipal para escolha de prefeitos e vereadores, após a criação da Justiça Eleitoral, em 1932, ocorreu no ano de 1947, no dia 19 de janeiro. Naquela oportunidade, Anápolis elegeu a sua primeira vereadora, Francisca Miguel.
Ela abriu caminho para Maria Conceição Meireles, Marlene Barbaresco, Mirian Garcia, Dra. Dinamélia Rabelo, Dra. Gina Tronconi, Professora Geli Sanches, Vilma Rodrigues, Thaís Souza, Elinner Rosa, Andreia Rezende, Seliane da SOS, Dra. Trícia Barreto, Cleide Hilário e Capitã Elizete.
Só um parêntese, pela primeira vez na história da Câmara Municipal, a Casa de Leis é comandada por uma mulher: a vereadora Andreia Rezende.
As anapolinas também protagonizaram e protagonizam em outros cenários políticos. Na Assembleia, Onaide Santillo, Carla Santillo, Vivian Naves. No Congresso Nacional, Dona Lídia Quinan (deputada federal) e Lúcia Vânia (senadora).
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