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Assembleia Legislativa de Goiás discute medida para diminuir morte de abelhas

de José Aurélio Soares
20 de outubro de 2021
em Meio Ambiente
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Deputado quer proibir a prescrição e a utilização dos produtos agrotóxicos que contenham em sua formulação o princípio ativo fipronil

Fica proibido, em Goiás, em territórios limítrofes de áreas que produzem mel, as modalidades de uso que envolvam aplicação foliar, a prescrição e a utilização dos produtos agrotóxicos que contenham em sua formulação o princípio ativo fipronil.

É o que estabelece o artigo primeiro do projeto de lei nº 7740/21, de autoria do deputado Antônio Gomide (PT), que iniciou tramitação na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

“Preliminarmente, confere salientar que no dia 24/08/2021 houve publicação, no Diário Oficial de Santa Catarina, proibindo o uso de produtos agrotóxicos formulados a partir do ingrediente ativo fipronil. Portanto, constituindo-se no mês passado como o primeiro estado do País a proibir a aplicação do uso foliar desse produto”, coloca Gomide, ao justificar a sua iniciativa.

O deputado frisa que o embasamento técnico da proibição foi discutido ao longo de dois anos, em sucessivos estudos da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e representantes de produtores rurais, fabricantes de agrotóxicos, setor cooperativista e outros.

E acrescenta: “Tal documento, analisado pela Cidasc, detalha como o fipronil pode atingir as abelhas, já que a literatura especializada indica que o uso foliar do produto (aplicação sobre a lavoura já em fase de crescimento) é prejudicial, devido ao contato das abelhas com o pólen das plantas tratadas, contato direto dos polinizadores, e, consequentemente, contaminação de toda a colmeia e produtos melíferos”.

Catástrofe

Em janeiro de 2019, Santa Catarina virou notícia nacional por ser palco de um dos maiores extermínios de abelhas no País: 50 milhões morreram em menos de um mês. Testes custeados pelo Ministério Público estadual indicavam que os agentes causadores eram agrotóxicos usados em propriedades vizinhas. A catástrofe motivou a ação na Assembleia.

Além disso, o gestor da Divisão de Fiscalização de Insumos Agrícolas, Matheus Mazon Fraga, destaca que outras formas de aplicação desse agrotóxico, que não seja a foliar, podem ser mantidas.

Isto inclui o uso mais comum dessa substância no Brasil, que é o tratamento de sementes. Assim, por ser uma aplicação em ambiente fechado e controlado, ela minimiza os riscos, evitando o contato com os polinizadores.

Quanto ao uso foliar, há outros produtos autorizados, capazes de substituir o Fipronil e que poderão ser prescritos pelos engenheiros agrônomos, sem prejuízo ao agricultor.

Desde 2004, o uso do fipronil foi proibido na França e em vários países europeus, acusado de provocar uma mortalidade predatória das abelhas. Considerando, ainda, que a melhor doutrina estipula que, em média, as abelhas melíferas voam 3 km de distância de suas colônias, torna-se imprescindível ao menos estipular esse zoneamento mínimo de proibição no uso foliar do fipronil.

A medida deve beneficiar especialmente os produtores de mel das regiões de Anápolis, Alexânia, Chapada dos Veadeiros, Pirenópolis, cidade de Goiás e Jandaia. A matéria segue tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Redação.

Rótulos: destaquemeio ambiente

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