Decisão técnica adia incorporação de medicamento no SUS, enquanto estados já registram resultados positivos
Em um cenário em que a obesidade representa elevado impacto econômico no país, estimado em bilhões anuais, a incorporação de um medicamento eficaz ao Sistema Único de Saúde (SUS) segue indefinida. A análise está sob responsabilidade da Conitec, que ainda não deliberou sobre a inclusão da liraglutida, fármaco já utilizado no tratamento do diabetes.
Segundo o endocrinologista Jorge Cecílio Daher, a decisão tem sido postergada por fatores que ultrapassam critérios exclusivamente técnicos. Ele avalia que a não incorporação impede avanços no enfrentamento da obesidade, condição que também contribui para o aumento de outras doenças crônicas.
Impacto econômico
De acordo com o especialista, os custos associados à obesidade são expressivos e poderiam ser reduzidos com políticas públicas mais abrangentes. A utilização do medicamento, afirma, teria potencial não apenas de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas também de gerar economia ao sistema de saúde.
O médico destaca ainda que o tratamento precoce pode diminuir a incidência de doenças associadas, como o diabetes, que também apresenta alto custo para o país. Nesse contexto, a ampliação do acesso ao tratamento é vista como estratégia de médio e longo prazo.
Experiência local
Enquanto a discussão avança no âmbito federal, iniciativas estaduais já apresentam resultados. Em Goiás, um protocolo específico permitiu o atendimento de cerca de 400 crianças e adolescentes, com reduções significativas no Índice de Massa Corporal (IMC).
Os dados, segundo o endocrinologista, indicam impactos positivos concretos, especialmente em casos de obesidade grave. Para ele, a experiência reforça a viabilidade da medida em escala nacional.
A discussão sobre a incorporação do medicamento segue em aberto, envolvendo não apenas critérios técnicos, mas também decisões de política pública e gestão de recursos na saúde.
