Os brasileiros têm medo de muitas coisas, mas a pesquisa Ipsos de janeiro de 2026 revela os principais. A violência lidera o ranking com 45% dos entrevistados. Quase metade da população vive com receio constante da criminalidade.
Por Vander Lúcio Barbosa
Não se trata apenas de estatística – é gente trancando portas várias vezes, evitando sair à noite, mudando rotas por insegurança. Cinquenta e sete por cento alteram rotina diária por medo de serem vítimas de crime.
A corrupção ocupa o segundo lugar com 36%. Os brasileiros não apenas temem criminosos nas ruas, mas também desconfiam daqueles que deveriam governar com honestidade.
Quando saúde aparece em terceiro (34%), vê-se receio o legítimo de adoecer num sistema público sobrecarregado, com filas intermináveis e recursos insuficientes. É medo de não ter acesso a tratamento adequado quando mais se precisa.
Pobreza e desigualdade social (31%) estão em quarto lugar. O Brasil figura como terceiro país com população mais preocupada com desigualdade no mundo.
Quatro de cada dez brasileiros pensam no tema constantemente, demonstrando consciência de que problema não é individual, mas estrutural. O medo de não ter comida na mesa, de não conseguir pagar contas, de ver filhos crescerem sem oportunidades.
Impostos (27%), inflação (24%) e educação (22%) completam preocupações econômicas e sociais do topo. Receio de perder emprego (15%) paira sobre milhões de famílias. Mudanças climáticas (14%) e ameaças ambientais (13%) aparecem em último, mas ganharam destaque após eventos climáticos extremos recentes.
O que mais chama atenção é que 96,2% dos brasileiros temem sofrer algum tipo de crime. Quase todos. Isso define geração inteira marcada pelo temor. Assalto à mão armada preocupa 82,3%, e impressionante: 80,7% temem morrer durante assalto. Este é medo existencial, primário, de sobrevivência.
O brasileiro contemporâneo vive com medo – de andar na rua, de cair em golpes digitais (83,2%), de fracassar (78%), de ser julgado (54%).
Se perguntar “de que você tem medo?” a brasileiro qualquer, a resposta provavelmente envolverá segurança, dinheiro ou saúde. É o reflexo de sociedade que precisa conviver diariamente com incertezas que deveriam ser resolvidas pelo Estado. Este medo coletivo define nosso tempo e deveria mobilizar todos nós para mudanças reais.
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