Parlamentar estadual Alysson Lima (Solidariedade) acredita que a medida traz vários benefícios ao município
Durante uma das sessões remotas da Assembléia Legislativa de Goiás, o deputado estadual Alysson Lima (Solidariedade) chamou a atenção dos colegas com a apresentação de um projeto de lei para integrar Anápolis à Região Metropolitana de Goiânia (RMG). Se aprovada, a medida passaria a vigorar 90 dias depois. Alysson afirma que a integração, não só de Anápolis, mas de todos os municípios que ainda não fazem parte da região metropolitana da capital e que estão num raio de 60 quilômetros de distância, criaria a 7ª maior metrópole do país, com 3 milhões de habitantes, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza e Recife. “Ao fazermos isso, Anápolis se beneficiaria em vários aspectos, uma vez que as políticas públicas da região Metropolitana também alcançariam a cidade”, justificou.
Alysson citou uma série de benefícios tanto para Anápolis quanto para a capital. Primeiro, a possibilidade de integração do transporte coletivo e redução no custo da passagem entre as cidades, já que fariam parte de um mesmo conglomerado. Em segundo lugar, a destinação de verbas para a manutenção das nascentes dos principais mananciais de abastecimento de água, que servem ambos os municípios. Além disso, Anápolis seria inclusa nos planos do Ministério das Cidades, recebendo mais investimentos dos governos Estadual e Federal para projetos destinados ao conglomerado. Por último, o deputado citou a possibilidade de união entre os políticos dessa região, o que daria mais peso à metrópole no cenário nacional, ajudando a atrair investimentos e participando mais ativamente das decisões de planejamento e destinação de recursos. “Trata-se de uma grande oportunidade que, se observada do ângulo certo, revela um cenário promissor”, analisa Alysson.
Cidade estratégica, Anápolis possuir o maior distrito industrial da região e mantém um significativo intercâmbio comercial e de serviços com Goiânia, além de sediar a Estação Aduaneira do Interior (EADI-Centro-Oeste ) denominada de “Porto Seco” e ter o 2º maior PIB do Estado. Segundo o deputado, o município sempre foi cobiçado para fazer parte da RMG. “A absorção da cidade pela região metropolitana é inevitável, uma questão de tempo, já que os centros citados estão em franca expansão”, ressalta Alysson. Um estudo citado pelo deputado mostra que o perímetro urbano de Anápolis já está no limite com os municípios de Terezópolis, Goianápolis e Leopoldo de Bulhões. Goianápolis tem sua zona urbana já na divisa com Leopoldo de Bulhões e Bonfinóplis. Logo, poderá iniciar-se um processo de conurbação. “Minha proposta é apenas uma maneira de antecipar 10 ou 15 anos do futuro, possibilitando uma integração muito mais calma, organizada e proveitosa”, explica.
O projeto de lei traz ainda outros detalhes em relação à proposta. Nele, o parlamentar discorre sobre a formação do Eixo Goiânia-Anápolis-Brasília, centros que se complementam no campo econômico e relacionam-se dinamicamente e que podem ganhar peso no cenário nacional, inclusive político, com a criação de mais uma metrópole. Finalmente, Alysson apresenta como justificativa a distância rodoviária entre Goiânia e Anápolis, que é de apenas 55Km e o grande fluxo de pessoas que trabalham e estudam nas duas cidades. “Hoje pode parecer uma utopia a construção de um metrô interligando a região metropolitana, mas isso poderá ser uma discussão real na próxima década e a integração pode beneficiar e muito os municípios que fizerem parte do conglomerado”, declara. Em seu discurso, o deputado pediu o apoio dos colegas Antônio Gomide (PT), Amilton Filho (Solidariedade) e Coronel Adailton (PP), que representam a Anápolis no parlamento goiano.

Alysson Lima: “Integração é inevitável” 
Amilton Filho: “Só trará problemas” 
Antônio Gomide: “Projeto é inoportuno” 
Cel. Adailton: “É preciso debater mais”
Pega de surpresa, a bancada Anapolina, considerada bairrista, reagiu. O deputado Amilton Filho declarou-se contra a integração. Para ele, nesse tipo de relação, apenas a capital se beneficia, aproveitando-se de certas políticas de descentralização, que empurram determinados problemas para as regiões periféricas. “Existem muito mais prejuízos do que benefícios a serem partilhados entre aqueles que são absorvidos pela região metropolitana”, pondera. “Além disso, na visão dos goianienses, a importância da capital faria com que Anápolis fosse tratada com um bairro distante, o que não aceitamos. Somos um povo único, independente, preparado e que não fica atrás de nenhum outro em termos de identidade”, completa Amilton. Antônio Gomide seguiu a mesma linha, considerando a proposta inoportuna. “Qualquer projeto que venha a alterar o cenário econômico deve ser debatido dentro de uma normalidade política e social, que é o que não estamos vivendo por conta desta pandemia. Além do mais, ele não foi debatido nem com o Executivo municipal, nem na Câmara de Vereadores e muito menos com a sociedade anapolina. Portanto é uma proposta que não representa o sentimento desta comunidade”, analisa.
Outro representante anapolino na Assembléia, o deputado Cel. Adailton não se posicionou nem contra nem à favor. Segundo ele é preciso ver os termos em que o município seria inserido. Adailton se diz ciente dos prejuízos que essa integração possa causar, mas também sabe dos benefícios. Para ele, seria necessário um tempo para amadurecimento e debate da proposta, para que esses termos deixassem as condições mais favoráveis e abundantes. Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a vontade popular, ou seja, seria necessário informar e conscientizar a população anapolina sobre o que essa inclusão representaria para a cidade e ouvir a vontade do povo, o que poderia ser feito através da realização de audiências públicas. “Só assim teríamos uma visão mais nítida do que a integração representaria para o município”. Frente as críticas, Alysson Lima se diz seguro de que o debate trará à tona os aspectos positivos, que são mais numerosos. “Vamos amadurecer a ideia juntos, sem pressa, garantindo a Anápolis a posição de destaque que ela merece. Esse é o meu objetivo”, finaliza.




