Animais foram encontrados em formações rochosas isoladas na Amazônia
A ciência ganhou dois novos registros de escorpiões após pesquisadores identificarem espécies até então desconhecidas no Brasil. Os animais foram encontrados em uma área de floresta próxima à Cachoeira do Evandro, em Mucajaí, Roraima, a cerca de 60 quilômetros de Boa Vista.
As espécies receberam os nomes científicos Brotheas cernii e Cayooca puchus. A descoberta foi liderada pela professora Manuela Berto Pucca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e publicada na revista científica Diversity.
Ilhas ecológicas
Os escorpiões foram encontrados em inselbergs, grandes formações rochosas isoladas que se elevam em meio à floresta. Essas estruturas funcionam como verdadeiras “ilhas ecológicas”, pois permanecem separadas de outras áreas e podem favorecer o surgimento de espécies adaptadas a condições específicas.
As coletas que levaram à identificação ocorreram em outubro de 2022. Durante as expedições, os pesquisadores perceberam diferenças na coloração, no tamanho do corpo e na granulação das pinças. Depois, os exemplares passaram por análises morfológicas e comparações com espécies já conhecidas.
A Cayooca puchus tem ainda uma característica particular: pertence ao gênero Cayooca, considerado raro e pouco conhecido pela ciência.
Veneno estudado
A descoberta não termina com a identificação das espécies. Os pesquisadores também estudam os venenos dos escorpiões para investigar moléculas que possam ter potencial em futuras aplicações farmacológicas.
Segundo Manuela Pucca, essa etapa já está em andamento. A expectativa é identificar compostos que possam contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos ou até de inseticidas biológicos.
Os animais também apresentam características que dificultam a manutenção em laboratório. Por serem altamente adaptados ao ambiente amazônico, alguns exemplares não resistem por muito tempo quando as condições naturais são modificadas. Por isso, parte das pesquisas precisa ser realizada na própria região onde as espécies vivem.

Pesquisa continua
A pesquisa na região começou em 2016, e novas expedições foram realizadas ao longo dos anos para reunir exemplares de diferentes sexos e fases de desenvolvimento. O trabalho contou ainda com especialistas de outras instituições, responsáveis por análises e validações da descrição das espécies.
Para a pesquisadora Manuela Pucca, a descoberta mostra quanto a Amazônia ainda é pouco explorada cientificamente. “Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”, questionou.

Além dos escorpiões, a equipe pretende ampliar as investigações na região de Roraima e estudar outros grupos de animais, como aranhas e barbeiros. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e identificar novas espécies e moléculas com potencial científico.
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