
Diz o adágio popular que “em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. A sabedoria popular nunca foi tão apropriada para pensar o futuro do Brasil. Até quando será possível sustentar milhões de brasileiros que dependem, direta ou indiretamente, de programas públicos para complementar a renda e que se tornaram dependentes de favores do Estado para sobreviver? E quando o pão faltar?
O problema não está em ajudar quem precisa. Sou humanista por excelência. Uma sociedade civilizada não abandona seus pobres. O risco começa quando a assistência deixa de ser ponte para a autonomia e passa a ser substituto permanente da capacidade de produzir e trabalhar. É o que está acontecendo no país. Nenhum país conseguiu distribuir indefinidamente o que não produz. Para aumentar a produção e nossa baixa produtividade teríamos que incentivar o empreendedorismo, o trabalho, a inovação, diminuir impostos e apoiar empresas que geram empregos e receitas, ou seja, tudo que não estamos fazendo.
Verdade é que estamos diante de uma equação perigosa: um Estado que gasta mais do que arrecada, uma dívida pública próxima de 83% do PIB, com juros de mais de 14% ao ano, que cresce de forma assustadora, assim como as despesas obrigatórias. Quando a dívida cresce mais rápido que a economia, chega a conta. Ela aparece nos juros elevados, nos impostos maiores, na perda do poder de compra, na redução dos investimentos e na dificuldade de criar empregos. No final, atinge justamente os mais pobres, porque tudo isso vai para o preço dos produtos.
O mais preocupante é que nossos líderes só discutem quem receberá e nada de quem pagará, sem preocupação com o que virá. Governos passam, mas a conta permanece. Promessas eleitorais podem render aplausos no presente, mas não eliminam a matemática de que receita, crédito e dívida não são infinitos. Lamentavelmente continuam apostando que as coisas caem do céu, ampliando despesas, benefícios e privilégios, acreditando que sempre haverá alguém para financiar a conta. Até quando?
Sabemos que o caminho sempre foi enfrentar reformas capazes de aumentar a produtividade, reduzir desperdícios, simplificar impostos, estimular investimentos e criar empregos de verdade. A história ensina: enquanto há pão suficiente, todos podem discutir quem está certo. Só que na atual conjuntura, com desindustrialização, perda de empregos em todos os setores, comércio em ebulição, com quebradeiras, fechamentos e demissões em massa, baixíssima produtividade e dificuldades para empreender, logo o pão começará a faltar. Aí a briga deixa de ser política polarizada. Torna-se social. O resultado poderá ser catastrófico. Nessa hora, ninguém ganha. Todos perdem. Quem viver, verá!
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
