Nas cidades brasileiras, o crescimento econômico traz vantagens, mas também problemas para as prefeituras. Comunidades cresceram sem planejamento, criando desafios.
Por Vander Lúcio Barbosa
A concentração de serviços — repartições, bancos, hospitais, lojas — nas áreas centrais gerou complicações. O aumento da economia e dos carros saturou ruas e avenidas. Com tudo centralizado, moradores tiveram de sair de bairros afastados para resolver assuntos no centro.
Em Anápolis não foi diferente. Com a estação ferroviária na Praça Americano do Brasil, nos anos 30, surgiram pensões, hotéis e lojas. Também pontos de charretes e carroças.
O povo se acostumou e a região cresceu. Vieram problemas: logo apareceram ambulantes, trabalhadores de rua e prestadores de serviços junto a lojistas, mascates e comerciantes sem endereço.
Com o crescimento, eles se multiplicaram e ocuparam espaços indevidos, principalmente áreas públicas. Isso trouxe desconforto às prefeituras e ao comércio. As queixas são a “expulsão” de pedestres, pessoas com deficiência e idosos das calçadas, ocupação dos passeios e perturbação do sossego.
No fim dos anos 80, o prefeito Adhemar Santillo criou o Centro Comercial de Ambulantes e reuniu no “Camelódromo” quase todos os vendedores. Houve resistência, diziam que iria falir. Não aconteceu. Hoje, um espaço ali vale mais que muitos endereços do comércio tradicional.
Com o tempo, as administrações se descuidaram e as ruas voltaram a se encher desses trabalhadores. Agora, pressionada, a Prefeitura anuncia projeto para organizar a atividade.
A torcida é por uma reordenação tranquila, sem prejuízos, com diálogo. É a chance de Anápolis mostrar um projeto moderno e justo, respeitando direitos e cumprindo deveres.
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