
O que Giovana Delgado (11 anos), Marina Vieira (11) anos, Laís Amaral (10 anos), Maria Vitória (11 anos) e Luiza C. Melo (10 anos) têm, em comum, além de cursar o sexto ano do ensino fundamental em uma excelente escola estruturada (como deveriam ser todas Brasil afora), em Juiz de Fora, MG? Acreditem: por iniciativa própria, através da amizade entre elas, sem interferência de ninguém, resolveram empreender, quando, em algum momento, uma delas propôs e fez a pergunta: “Precisamos vender alguma coisa. O que podemos vender, como produzir e para quem vender? Dividiram as tarefas entre Marketing, Vendas, Financeiro, Compras e Produção. Tudo como deveria ser.
O caso em evidência me levou à uma questão básica: se as escolas, em sua maioria, ainda formam para o emprego e não para o empreendimento, de onde nasce o espírito empreendedor? Ele não nasce, prioritária e somente na sala de aula tradicional – um mérito da escola em que estudam e as contemplam com esta matéria curricular – e costuma nascer de outras fontes como o desemprego, a informalidade, a instabilidade econômica que empurram pessoas para se virarem, tornando o empreendedorismo por sobrevivência. Não é romântico! Este, porém, não é o caso das sócias acima citadas.
O que mais nos importa no contexto é relatar que quemcomeça trabalhar cedo, vender, negociar, errar e recomeçar aprende muito mais sobre iniciativa do que decorando conteúdos para prova. Afinal, empreender é comportamento, não apenas disciplina curricular. Há que se reconhecer, também, que quem cresce vendo o pai, a mãe ou os avós tocarem um negócio internaliza risco, autonomia e responsabilidade como algo natural. Aprende-se na prática aquilo que a escola raramente ensina: fluxo de caixa, negociação, coragem. Sim, leiam o relato de uma que assim definiu o negócio:
“Nós começamos na idéia de lançar perfumes, então testamos fazer de lavanda mas não de certo. Então tentamos fazer um de limão e deu certo mas não ficou do jeito que nós queríamos e vimos que tem que ter uma aprovação para lançar perfumes e nos não iríamos conseguir. Então procuramos outras coisas para vender e vimos que daria fazer prendedores de cabelo e escovinhas para as bolsas, pensamos que só vender assim não tem muita graça. Então nós pegamos strass e personalizamos, e assim criamos a marca “glowgirls.” Confiram no instagram: @beaulty_girl.
Como se depara pelo depoimento, as meninas empresárias já sentiram e entenderam o que é, em parte, a burocracia brasileira para quem quer produzir alguma coisa. Porém o espírito empreendedor foi mais forte e o incômodo com o modelo engessado e com a burocracia que emperra negócios no Brasil ficou para trás. Sim, empreendedorismo exige criatividade, coragem, risco, autonomia, pensamento crítico e tolerância ao erro. Isto as meninas têm. E aqui está o paradoxo brasileiro: Somos um dos países com maior taxa de empreendedores do mundo, porém, com baixíssima produtividade.
Temos iniciativa. Falta preparo estratégico. Talvez o espírito empreendedor venha da rua, da família, da necessidade, mas o refinamento dele deveria vir da escola. Sem isso, continuaremos formando vendedores de sobrevivência, não construtores de empresas perenes. Quando vamos acordar?
Parabéns, meninas/crianças citadas! Exemplo do brasileiro empreendedor. Palmas…
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